sábado, 24 de agosto de 2013

Medo...

Quando você saiu de casa e me deixou na sala fria deitada sobre os restos de mim mesma e o que sobrou do vinho de um jantar de 12,00 reais, eu fiquei pensando se eu ainda sabia para quem ligar. Então eu corri para a varanda e pedi que se tu fosse mesmo embora que levasse contigo o meu puro coração. Foi então que me dissestes que não podia nem mais vê-lo por que estávamos tão longe da verdade que a vida não passava de ilusão. Tomei o vinho até ficar tonta e pensei em chamar minha mãe. Só que então me veio a memória, dos anos que fui, em casa, escrava da minha própria enganação, não lembrava, mas sabia que a mãe não mais podia segurar a minha mão. E no meio da saudade e da chuva de lembranças entendi que eu não eu era muito mais do que uma criança agarrada no colchão. Minha boneca de pano jazia abandonada no quarto chorando pra ter de volta o meu amor. Entendi então que no meio da saudade de uma infância que eu mesma desisti, deixei pra trás a minha herança que diria que o único a buscar era um pedaço de amor. Então busquei minha pequena e enrolando-nos na cama  dormimos até o sol nascer. Acordei na minha adolescência, meu cachorro entre meus pés, disse pra minha mãe que eu a amava e fui embora pela segunda vez. Ela me chamou de perdida, puxou meus cabelos e chorou em silêncio escondida atrás da porta. Tive tanto medo de perdê-la, mas meu medo de não me achar era tão maior... Desta vez eu acordei, deitada na primeira cama, cheiro de vinho nas minhas roupas e bebe cheirando a talco entre meus braços. Quando ao homem que achei ter perdido, estava deitado atrás de mim, com a mão na minha coxa e a outra no meu coração. Foi aí que eu entendi que ele não fora embora, que a saudade não me acolhera e que o pesadelo me lembrara que sair de casa fora a única solução.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Amanda...

     Amanda me olhava engraçado, talvez pelo seu estrabismo, talvez pelos cílios postiços. E quando me olhava mordiscava o mindinho e encarava minha virilha. Melhor assim do que ao contrário: imagina que louco! Mordiscar o mindinho.... Sempre fora Minha Vizinha, assim mesmo, com letra maiúscula e fazendo topless no jardim. Ela me via observando-a, todo dia, depois da aula, trocando de roupa com a janela aberta.
     No seu aniversário de 18 anos, dias antes de ir pra faculdade, Amanda entrou na minha casa e levou embora meu coração. Depois ela não me procurou mais, teve algum caso com algum professor, mas sempre vou lembrar daquela cena: cabelos loiros, de joelhos, jeans rasgados, chão do meu quarto....


Profundeza

Ela provocava com a ilusão de que podia haver mais coisas.
Intercalava futilidade com ilusão de profundidade.
Brincava de ser interessante, mas inconvenientemente foi pega assistindo novela.. 


domingo, 18 de agosto de 2013

suicide

Escuto a madrugada
com gosto de cetim
e o sushi me tranca o ar
entre o vinho e o laxante

Sonho com os cheiros
de arvore de leite
e os passaros cantam
em homenagens
ao sangue que derrama
das minhas veias em chamas


Amores antigos

Eu amava uma garota
que entre desmaios bêbadas
dizia que me amava
e me abraça até o sol chegar

Então ela ia embora
fumando um cigarro
trocando os passos
até a rua da sua casa

As vezes eu a seguia
e respirava o ar que ela soltava
e pisava nas pegadas que ela deixava
e vivia na vida que ela largava

A garota que eu amava
tinha uma certa opacidade
dentro dos proprios olhos
que me encantava

A minha garotinha
que amei desde menino
tinha no doce dos seus beijos
um desejo de morte precoce



Cemitério de estrelas


Nunca achei que as estrelas me deixariam sozinha. Fico olhando para aquele cemitério de luzes sobre minha cabeça sem entender por que elas demoram tanto pra me alcançar, por que elas tem de morrer antes que seu brilho beije meu rosto. Então entendo que a beleza não é vaidade, mas presente para os outros.

Adeus, amado

Não vou falar de teus medos,
de teus segredos,
de sua amante Baltazar,

Não vou falar dificil,
não vou falar alto,
entao chega mais perto,

Vou te falar do nosso amor,
que morreu,
pra virar flor,

E vou deixar que tu procure,
em outros braços,
um novo amor.