segunda-feira, 29 de abril de 2013

Memórias guardadas

As vezes ela esquecia de tudo, até do próprio nome. Percebia que as pessoas continuavam cometendo os mesmo erros através dos tempos, que nada mudava. Diante desta estagnação, ela congelava. Sua mente virava um poço vazio. O silencio agarrava as paredes. Sem saber como se chama, ela vagou pelas caixas que guardava no quarto. Releu cada poema e música que escreveram para ela, olhou cuidadosamente todas as fotos, desenhos, bilhetes de amor. Passou os dedos por pétalas secas. Pressionou a mão contra as marcas da caneta no papel. Se apaixonou novamente por cada um daqueles garotos. Um a um, amou a todos de novo. Sentiu os cheiros, o toque da pele, o sabor dos lábios. Foi lembrando de quem era e de tudo que passara até ali. Guardou sua caixa de lembranças no fundo de algum lugar escuro e voltou a viver, fingindo que eles não tinham acontecido. Por que doíam demais

sábado, 27 de abril de 2013

Sem sentimentalismo forcado, por favor

Ela soube, pela primeira vez, que não se envolveria romanticamente.
Depois de anos de desventuras, promessas, segredos e carinhos, ela soube que jamais o teria.
Ele não era dela, não era de ninguém e muito menos de si mesmo. Ele pertencia ao mundo, mas não controlava-se. Ele criou uma solidão que cegava-o.
Ela não era dele, jamais seria. Ele importava demais, era útil demais, para torna-lo um alvo da sua teia, da sua vida. Ela havia deixado de acreditar nos sentimentos.
Tinha um respeito de pupila por ele, uma admiração de crente, um carinho de amiga, um cuidado natural. Infelizmente ou felizmente, não existia nela vontade alguma de tentar muda-lo, salva-lo de si mesmo.
Havia uma relação entre os dois, mas algo que não abria espaço pra romantismo.
Entretanto...
Um momento de entrega não faria mal a ninguém.
Estaria sujeita a ser julgada. Deporia nua sobre um tribunal. Ele teria acesso a algo que ela não gostava em si mesma, seu próprio corpo. Sabia que ele a via sem a névoa da "paixão" nos olhos, ele a via puramente, sem ilusões. Veria as marcas de uma vida. Ele não saberia a importância que tinha para ela o seu corpo. Não pensaria nisso, não teria delicadeza em julga-lá.
Ela sabia que seria terrível para seu ego, mas parecia certo, mesmo que não fosse.
Mesmo que não levasse a nada.
Mesmo que aceitar um beijo sem romance fosse a ruína dela.
Ele ainda a destruiria ...
Mas, quem era ela para se importar? Não tinha controle de quem era, mas contanto que não tivesse de fingir um romance, apesar dos defeitos que ele notaria, estavam todos... Bem... Respirando ainda

"Aquele" sentimentalismo

Ele dizia não querer a solidão, mas havia se apegado a ela. Tinha medo de perder sua solidão ...
A garota estava deitada perto dele, movendo seus dedos pela pele do rapaz. A luz incidia de leve sobre eles. Era tudo levemente agradável. Sem pressões ou promessas.
Subitamente, ele se afastou. Chegou a ficar pálido, as pupilas dilataram. Pareceria ter encarado algo assustador. Ela notou:
- O que foi?
- É este ambiente ... Parece tão... Sentimental !
- Meu caro - ela sorriu e encarou-o nos olhos, mudando de posição - Eu não nutro sentimentos por ti. Tu pode dizer o mesmo sobre mim. Jamais queremos, teremos, um romance. Estamos aproveitando um ambiente. Gosto de cenários. Não me importa os personagens.
Por algum motivo, que só quando ela chegasse em casa e estivesse sozinha ela entenderia, ele não se importou tanto com a idéia de não ser importante quanto se importava com a idéia de se apegar.
Ele sabia que sua importância era diferente daquilo. Nunca teriam "aquilo" e os dois estavam morbidamente contentes com esta realidade.

Liberdade

O ambiente era agradável. O vento balançava as cortinas transparentes, a casa tinha um cheiro de lojas esotéricas. Um cheiro que ela gostava... Na parede um quadro que dizia mais do que um quadro podia dizer. Este quadro estava posicionado no meio da sala, sobre o sofá e de frente para a rua, na mesma posição que um crucifixo com o magrelo pendurado ficaria.
Ela caminhou por todo o ambiente, absorvendo o aroma de gente que aquela casa exalava. O lugar respirava debaixo dos seus pés.
Sentiu a presenca dele, observando seus passos, vasculhou os CDS, sentiu o chão, tocou nas paredes. Era uma casa. Não uma casa espaçosa e irreal como a sua. Era uma casa que tinha a bagunça de uma casa. A confusão organizada, o cheiro de vida misturado com velas aromáticas.
Dentro daquela casa tudo era possível.
Até mesmo um breve momento de liberdade de si mesma.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Por que sou quem sou?

Não me falta nada.
Sou tudo que sou graças a mim e aos outros. Os erros, acertos, conselhos. Não agradeço cada palavra importante, cada beijo na testa, cada olhar de compaixão.
Também, me arrependo de muitos amores.
Sinto uma dor imensa por todos os amores que não correspondi.
O que, porem, eu poderia fazer?
Que culpa tenho se não sei amar?

Bad girls go wherever the fuck they want - Garotas más vão para onde diabos eles quiserem

I'm trying to prove that I am good enought for you, but damn, I am no good for myself. Poisoning my glass and the licked pages of my books I am killing, piece to piece, the humanity that I have left. But don't believe for a second that I don't seek for hapiness, I even want to be happy, but the happiness of being imortal, not the real kind of happiness.
Forget the love from love songs, I wanna love knocking my head against the wall, with my stomach pressed to the cold floor of a public restroom, smoking rock and roll. Falling to my knees, breaking my bones one by one, waking up in the morning without knowing her and his name's. Pictures of my ass traveling around the web, but my face remaining unseeing.
A dirty sex, no love, bussiness sex. A unbarable, unbelivable, platonic love. My control is controling you, here, hold my chains while I bite the ones around your hand. If we are all born to die, I wanna die in a throne above the sky, so my blood can rain in the skin of the remains. I wanna die listening to my voice and everyone's cries because they loved me so much. I will die knowing that I was the only living one. And if I die without living a fucking single day, its ok, I will forever have that moment of sin between my flesh and yours.



Tento te provar que sou boa pra você, mas, porra, não sou boa nem pra mim. Enveneno o meu próprio copo e as paginas do meu livro e mato, pouco a pouco, a humanidade que me resta. Mas não pense que não quero ser feliz, feliz até quero, mas quero mesmo é o feliz de ser imortal, sem ser feliz de verdade.
Esquece o amor cantado no axé, quero amar batendo a cabeça contra a parede, com a barriga contra um chão sujo de banheiro de posto de gasolina, injetando rock and roll na veia. Caindo de joelhos, quebrando os ossos um a um, levantando na manhã seguinte sem saber o nome dele, sem saber o nome dela. Fotos da minha bunda circulando pela internet, mas meu rosto ninguém vê.
 Um sexo sujo, sem amor, pragmático. Um amor inconcebível, platônico e inadimissivel. Meu controle é controlador, você segura minha corrente e eu mordo todos próximos a tua mão. Se todos nascemos para morrer, quero morrer em um trono acima das nuvens, pro meu sangue chover na pele dos que ficarem aqui. Quero morrer ouvindo minha voz e que todos chorem por que me amavam demais. Vou morrer sabendo que só eu sabia viver. E se eu morrer sem viver um maldito dia, ta tudo bem, ainda teve aquele momento de pecado pecador entre eu e você.


domingo, 21 de abril de 2013

Sabedoria...

Eles entram, procriam e morrem. É isso que gosto neles.
Charlei Sheen falando sobre esquilos, mas podia muito bem estar falando sobre a humanidade...


Nosso mundo

Os cenários, todos, eram lindos. Montados para um típico romance de Hollywood. As escadarias certas, as sombras, os parques, as cafeterias e ruas lotadas. Ela conseguia enxergar toda a encanação que pudesse usar a seu favor. Ele percorria os mesmos caminhos que ela, ingenuinamente. Quando ela marcava um lugar, um alvo perfeito, ele já havia sugerido o mesmo lugar. Sem controle algum, ela ficou vagando no espaço ao lado dele.
Munida de toda a coragem que encontrou e nem sabia que tinha, ela escorou seu ombro no dele. No inicio, ele nem parecia ter percebido. Ele não sabia quão grande era esse esforço para ela, por um segundo encostar em alguém por que queria e não por que a situação que ela montou exigia isso.
As palavras não saiam direito, não tinha mais cenários, roteiros e holofotes. Ela margiava o canto do palco, sendo obrigada a ser alguém de verdade na própria peça. Sua personagem ficou jogada ao seus pés enquanto ela foi jogada em cena. "O que eu digo agora?"
E não disse nada. Escreveu. Olhou para ele.
Ele percebeu a confusão dela e concordou com o olhar.
Mesmo sem papeis marcados, eles tinham uma breve idéia do final.
Ela precisava de muitas pessoas. Ele não se cederia ao mundo.
Ninguém podia te-lo, por que ele não era de ninguém.
Ninguém podia te-lá, por que ela não aceitaria ninguém.
Mesmo sem ser do mundo, juntos podiam domina-lo

sábado, 20 de abril de 2013

Se sou louca

Não sei se sou louca ou se são os outros. Não comecei guerras por religião, não explodi crianças no Oriente, nao marginalizei famílias ou idolatrei cantores e esportes, nem criei bombas nucleares. Os loucos são eles. E quando não consigo me convencer disso, pergunto as vozes na minha cabeça. Elas me dizem que tenho razão.

Libertador

Ela encostou a arma contra o peito dele e ordenou:
- De joelhos.
Ele focalizou os olhos dela. Então, riu. Riu da cara dela como nunca havia rido antes.
Ela ficou observando-o. Isso nunca havia acontecido ! Ela repetiu:
- Ajoelhe-se!
Desta vez ele riu tanto que mal se equilibrava. O sorriso dele era de deboche, mas não a ofendia, apenas impressionava. Gentilmente retirou a arma das mãos dela.
- Bem... Se é assim - ela falou - O que faremos agora?
Ele deu um tiro no relógio que estava acorrentado ao pulso dela e respondeu:
- Agora o que diabos quisermos.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Relojoeiros

A sala esta tomada por uma fumaça quente. Sua pele arde com o calor e a roupa colou ao seu corpo. Uma gota de suor escorre pelas suas vértebras de maneira desagradável. Seu peito ofega. O relógio esta parado. Seus sapatos sujos de sangue. Seu cúmplice tira o relógio quebrado das mãos dela e toca seus lábios próximo aos dedos da garota, sustentando-a pelo pulso e por um beijo na mão.
Ela sente suas costelas pressionarem sua pele como se tentassem escapar de dentro dela. Ele se aproxima e posiciona seu corpo contra o dela, uma das mãos sobre os doloridos ossos que tentavam fugir. Como em toda vez que ele se aproximava ela sentiu-se provocada e intimidada. Tinha sempre mil vontades com ele, sonhos que ela não ousaria repetir em voz alta, mas sua tensão era muito maior. Não conseguia mover-se para longe ou para perto quando ele se aproximava demais. Geralmente ficava a admira-lo em um silencio respeitoso, o olhar e os lábios. A maneira de se mover.  Os gestos, a risada, a voz... Acima de tudo, o sorriso.
A profundidade que compartilhavam e a alegria a que ele se entregava... Tudo era fantástico na sua visão. Pedia mentalmente que ele a beijasse, mas não o deixava beija-lá. Quase nunca.
Ele manteve a mao pressionando-lhe as costelas. Ficou ali, segurando-a por um tempo até que enfim ela recobra o fôlego.
- Deu?
- Deu. - ela respondeu
E então, tão rápido quanto quando ele chegou, ele se afastou. Tiraram o relógio quebrado da sala.
-Minha vez? - ele perguntou
- Não. - ela sorriu cutucando-o para saber se ele ainda estava ali - É minha vez ainda.
Ele resmungou alguma coisa, um pouco revoltado, mas era mesmo a vez dela. Ele colocou sobre a mesa o saco preto. Ela aproximou o ouvido. Tic tac. Ouviu.
- Machado
Não era uma ordem. Era um pedido. Não tinha a delicadeza de um, mas eles se entendiam.
- Machado, minha cara? Não é um pouco ultrapassado ?
- Machado. - ela repetiu.
Quando tomou o Machado mas mãos, a música já havia recomeçado. The killers, pra variar um pouco seu repertório. Bateu varias e varias vezes.
Ele poderia ter segurado-a pelos ombros, pedir que ela aproveitasse mais o momento, mas viu que o que ela fazia era necessário para ela. Quando ela terminou, o relógio jazia despedaçado sobre a mesa. Ela limpou o sangue que escorrera do seu nariz e olhou para ele:
- O que te impede de ser o próximo relógio?
Ao que ele respondeu:
- sou mais útil vivo.
- sua vez.
- minha vez.
Ela trouxe outro saco preto. O relógio batia dentro do peito da mulher. Seu cúmplice observava. Deixou que a garota tocasse o corpo frágil da mulher sobre a mesa por um tempo. Enfim, pediu:
- Bisturi.



segunda-feira, 15 de abril de 2013

Beijos

Muito se esconde em um beijo. Ate nos beijos de quem tem medo de beijar.

Pesadelo

A solidão perturbava sua vida de uma maneira que ela nao poderia descrever. Tao pouco havia procurado uma solução para isso. Relações vazias nao adiantariam e algo real poderia machuca-lá. Decidiu por ser sozinha. Nao abraçava a solidão, NUNCA! Tinha sempre placebos. Mil placebos. Seu ego precisava ser alimentado. E a culpa? Sentia, mas era una cleptomaníaca de corações que preferiria abandonar a ser largada. A culpa nao superaria o seu medo de ser abandonada.
Dormiu cedo, pensado em tudo isso.
No sonho, sangue entrava pelas paredes do quarto e a afogava, a comida estava cheia de vermes e da sua pele saiam feridas enormes que afastaram todos. Ela nao acordou apenas assustada, estava mortalmente apavorada. Sentia a pele arder e nao consegui respirar. O sangue das suas vitimas infiltrou-se na sua alma.
Choraria, se soubesse como.
Chamou pela sua mae. A casa, silenciosa, absorveu o grito nas paredes anti-ruído. Melhor assim, ou sua mae ficaria irritada por ter sido acordada.
Esticou-se para o relógio. Havia dormido alguns minutos. Olhou para as mensagens do celular. Nada satisfazia-a por completo. Nao podiam dar-lhe o que ela queria. Nem ela sabia o que queria.
Uma das mensagens chegou perto de ajuda-lá.
Entao, voltou a mergulhar no sangue. As paredes ainda a sufocavam em seu inconsciente, mas ela sentiu, pela primeira vez em sua vida, que podia contar com alguem.

Lábios de nicotina

Continuo a desenhar ate achar na figura tudo que representas...
Desenho sem encontrar o que procuro
Falta algo, nao em ti.
Falta em mim a capacidade de te dar o que tu merece.
Nao fique tao a mercê da minha maldade,
Nao sei o que faço, quando estou ocupada fazendo.
A vida é tua, como tu sempre diz
Nao posso decidir por ti
E, mesmo que pudesse, tambem nao quero
Te salvar de mim.

Parar o mundo

Estao em momentos diferentes. Fora isso, é esquisito.
Mas no meio da anormalidade que construíram, encontraram uma maneira de parar o mundo
Por um segundo

Ate que algo aconteça

Compartilhavam deste afeto, de uma maneira estranha, entendiam-se. Nenhum acreditava na própria salvação. Viam nos olhos dos outros o reflexo dos seus piores monstros e aceitavam no outro o que admiravam e temiam em si mesmos. Sabiam disso, conscientemente. Sabiam que havia uma compreensão, admiração e desejo de aprender um com o outro. Mas, isso era tudo que sabiam.
Em um destes momentos, onde o céu avança sobre a terra como se prevesse o fim do mundo, eles sentiram-se sozinhos como nunca antes. Apagar este sentimento era fácil. Havia um plano. Ele atravessou a distancia entre eles, sem pensar no que fazia.
Ela fugiu, assustada, mas nao era o súbito interesse dele que afastou, o que o fez foi a percepção de que ele sabia exatamente o que ela pensava. Ela avançou sobre ele. Seus desejos, porém, confundiam-se com o medo.
Medo das pessoas. Medo de fazer alguma coisa errada. Medo de perder a imagem que ela construiu ou, indescritivelmente  pior, medo de perder o que eles construíram.
Mas eles tinham tempo. O mundo nao acabaria naquela noite e eles tinham todo o tempo do mundo.
Ate que algo acontecesse.

Notícias de hoje (15 de abril)

"Vamos lá", sussurrou dentro da mente dele, "Faça o que tem de fazer"
A fome agarrava suas entranhas como se dentes dilacerassem seus órgãos. A dor era tao intensa que ele achava que nao poderia agüentar mais nenhum segundo que fosse. Sua pele queimava em determinados pontos. Eles sabia o que tinha de fazer. Nao era um plano perfeito, mas era um plano satisfatório.
"Isso!", a voz gemeu. Concordando.
Ele estacionou em um ligar qualquer no meio de lugar nenhum e passou a caminhar. Estava determinado. Faróis de aproximaram ao longe. O carro nao parou com o seu sinal. Pouco tempo depois havia conseguido que um taxi parasse.
Sentou-se no banco de tras e passou um endereço meio incerto. Dirigiram por algum tempo, quando estavam perto de parar, a voz murmurou:
"Agora, amado!"
E ele sacou a arma. Deus dois tiros na cabeça do taxista e encondeu o corpo em uma vala. Dirigiu um tempo e entao abandonou o taxi
Dentro da cabeça dele, Lilith sussurrava;
"vamos lá!", e gargalhava, "faça o que tem de fazer".



Foi preso o serial killer de 21 anos, Luan da Silva. Porto Alegre. 15 de Abril

domingo, 14 de abril de 2013

Temos razão

E vamos provar para o mundo
que o próprio mundo está errado,
esta na hora de mostrar 
que o que eles inventaram não existem,
diga "hey!", diga "ho!",
vamos dominar o mundo!

Beijos na mão.

Beijos na mão.
Beijos na mão?
Sim, beijos na mão!
Foi um beijo na mão.
E o que é um beijo na mão?
É aquela prova efetiva de admiração e afeto mútuo.
É uma forma de reconhecimento.
Um obrigada,
 um elogio disfarçado de beijo na mão.

E um dia, de volta, realmente ou metaforicamente, te beijo a mão.
Por que, de todas as pessoas que conheço, só tu merece um beijo na mão.

Relacione


Ela tinha medo de dizer algo 
que fizesse que o que foi dito
soasse como algo mais,
Embora não fosse,
por que o que ela pensava
sobre o que eles tinham
era muito mais importante
do que o que as pessoas buscam
entre promessas e contratos.

Entre a fera e o genio

Ela era uma pessoa complicada, admitia isso, mas os outros não percebiam. Quem quase percebesse, era empurrado para longe. Por isso, ela surpreendeu a si mesma ao se ver, na maior sinceridade, deixando-se ver. Ele ouviu atentamente, as manias, vicios, medos, lamentaçoes. Parecia se importar, mas ela mantinha um pé atras. Estava, morbidamente, contente. Satisfazia-se com as conversas entre os dois,  a simples presença dele já era boa o suficiente. 
Ele parecia um tipo de pessoa por quem vale a pena se arriscar. O verdadeiro lutador, sempre entre a fera e o gênio. Os dois lados eram fantásticos. Ela não podia decidir. 
Tinham um relacionamento estranho, admitia-se. Conversavam sobre coisas da qual não falamos nem a nós mesmos. Era um vício ouvi-lo. Não gostava de afastar-se dele. Sentia-se como uma aluna, aprendendo a falar o que haviam dito que ela calasse.
Ele instigava-a, muitas vezes, a iniciar uma revolução dentro da sua mente. 
E por vezes, barrava-a dentro dos limites de uma moral própria.
 Os medos dos dois eram diferentes. 
Ela sentia-se imensamente grata pela existencia do rapaz, mas não conseguia achar meios de retribuir.
Ele dizia o mesmo sobre ela.
E continuavam assim, duvidando, questionando, arriscando... Não eram pessoas normais. Oscilariam muito ainda. Faltava a eles uma confiança admitida. Tinham muitas coisas a serem discutidas, perguntas. Nem sempre se compreendiam, embora compreendessem o mais dificil de compreender. Compreende?
E ficavam assim
Trocando idéias
selvagens
e brilhantes
Dia-a-dia entre a fera e o gênio. Conviveriam.
Existia muito a ser dito.

Voando só

Lila via-se de maneira diferente a cada segundo. Toda vez que passava na frente do espelho, já havia tornado-se uma nova pessoa. Cabelo, maquiagem, expressão, sentimento, vestiário... NADA durava mais do que um dia. Sonhava em prender-se a algo, na sua utopia uma corrente a prenderia ao mundo. 
Sonhava em pousar, mas não conseguia. Tão logo se prendia a algo, precisava urgentemente arrancar as amarras e sair voando. Partia-lhe o coração ir embora, mas também não conseguiria ficar. 
A cada vez achava que conseguiria AMAR. Amar de verdade.. Mas nunca era amor, era sempre outra coisa. 
No fundo sentia um pouco de felicidade ao deixar os outros para tras. Isso dava-lhe poder. O que doia, doia mesmo, era voar sozinha.
Mesmo assim sonhava, com o dia em que algo diferente aconteceria, e alguem a seguraria pelo pulso quando ela tentasse voar. 


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Devaneio

Deitou contra o lençol. A água ainda escorria dos seus cabelos, a pele úmida abraçou com um arrepio o tecido sob ela. A mão correu pelo corpo, brincando de apertar as marcas e cicatrizes com a ponta dos dedos. Agarrou-se a memórias recentes e recusava-se a dormir. Travando um duelo consigo mesma, acabou por adormecer nua com as janelas abertas. O vento frio pegou-a nos braços e a levou embora, junto com as nuvens, para bem longe dali.

Aprisionados ao tempo


O dia em que os demonios foram aprisionados no relógio, os anjos dormiram, enfim. Os prisioneiros, mergulhados em um infinito barulhento, rangiam todos ao mesmo tempo. Condenados, girando nas agulhas do tempo, sentiam uma mórbida sensação de prazer. Era como se um calor subisse-lhes pela virilha delicadamente a cada oscilar do ponteiro. Presos ao tempo, pensar tornou-se estupidez, presos ao tempo, agrava-lhes o aquecer das intimidades, presos ao tempo, viviam como animais... ou pior... como humanos...


Pronta pra me defender!


Chicago


Estava entediada e eu tinha figurinhas do Harry Potter


Where my demons hide


sexuality


Beber, dirigir e se matar


Desenhos....

















Madrugada

Este horário me dá uma vontade de louca...

QUERO COMER CHOCOLATE, OUVIR MUSICA ALTA, TROCAR DE IDÉIA E USAR SALTO ALTO

Faz com que eu me solte

DECIDO

 COMEÇAR UM CURSO, DESISTIR DA ESCOLA, DESLIGAR A TELEVISÃO, INVADO PENSAMENTOS, QUEIMO FOTOS, ME AGARRO A URSOS DE PELÚCIA E DECIDO APRENDER MANDARIM

troCo dE rOuPA, tiRo a ROUpa E lArGo o mUnDo dE mAo




Labirinto

Cristine correu pela sala escura, tateando as paredes. Uma cortina de plástico grudou no seu braço fazendo-a gritar. O barulho alto aproximava-se, a musica tocava no fundo. Ela sentia a canção de ninar impregnar na sua pele, o chiado do rádio velho arranhava seus ouvidos. Duas formas altas encaravam-na ao longe. Ela correu na direção contrária, os cacos de vidro dilacerando seus pés descalços. Ela berrava de dor, agarrada ao que surgisse no seu caminho. Uma mão apoiou-a. O rosto retorcido aproximou-se do dela. Cristine empurrou a monstruosidade que se aproximara dela e caiu sobre degraus. Rastejou até achar novamente um piso sólido, no andar seguinte. As tábuas estavam cobertas de sangue e ela podia ouvir uma serra elétrica ao longe. Gargalhadas cercavam-na provenientes de todas as direções.
Sua própria mente debochava dela. O que fazia ali? Por que passava por tanta dor e sofrimento? As formas ao longe não se moveram, mas uma luz piscou atras delas, revelando mãos erguendo facões. A menina continuou correndo pelo labirinto, para longe das formas e dos barulhos. Uma porta era visível atras de um enorme armário. Com muita dificuldade ela encontrou uma maneira de empurra-la o suficiente para abrir a porta. Do outro lado, um jovem encarava-a com olhos aflitos. 
Cristine colocou as mãos sobre os lábios para não gritar. O garoto afastou-se o maximo que pode dela, em estado de choque.
- Calma. - ela sussurrou - Vamos sair daqui juntos.
Estendeu a mão para ele, que segurou tremendo. Ela guiou-o cegamente por entre facas penduradas e manequins mascarados. 
- Alex - ele balbuciou, quase chorando - Meu nome é Alex.
Cristine não conseguia determinar a idade dele. Parecia mais velho do que ela, mas naquele ambiente... quem saberia dizer? 
- A janela. 
Ele apontou na direção contrária que ela o guiava.
- Não sabemos em que andar estamos, Alex. 
- Eu sei. No terceiro. 
A esperança foi trocada naquele aperto de mão, enquanto atravessavam a sala correndo. Mãos enormes conseguiram alcançar a garota antes que ela percebesse que era só uma luva. Empurrou os diversos objetos pontiagudos que caíram sobre ela. Teve de arrancar uma faca que agarrou-se a sua coxa. 
Uma cabeça humana caiu entre os dois e Alex a chutou com uma expressão de nojo. Cristine segurou a vontade de vomitar pela quarta vez naquela noite.
A luz da janela tornou-se visível a medida que eles corriam pelo corredor. A garota prendeu o pé em alguma coisa e teve dificuldade de movimentar-se descalça sobre a pilha de orgãos (provavelmente humanos) que se aglomeravam ao seus pés.
A música aumentou e ficou mais lenta a medida que alcançavam a janela. Ela esticou a mão em direção ao trinco e uma lamina decepou sua mão. Urrando de dor, ela caiu nos braços de Alex. Ele arrancou o fio que estava preso ao trinco usando um objeto (um osso talvez) que juntou no chão. Empurrou a janela com o pé.
A neblina subia até eles. O ar frio entrava e acariciava-os.
A serra elétrica aproximou-se. Alex enlaçou a cintura de Cristine e pulou da janela. Usou seu próprio corpo para amortecer a queda dela. Ele tinha razão, a altura não era muita, mas o suficiente para dificultar que eles fugissem antes que fossem perseguidos. Ajudaram-se a levantar e correram para dentro da mata.
Longe do labirinto, na beira da estrada, imploravam por ajuda. Ao longe, ouviram um motor. Aproximava-se um caminhão com uma velocidade alarmante. Correram para mais perto da faixa.
Alex empurrou-a.
Na frente do caminhão.
O corpo explodiu.
Em vários pedaços.
E ele sumiu 
dentro da mata.

Bem-vindo

Quando a chuva começou a cair, Will nem ligou. Cruzava a cidade com a precisão cirúrgica que se corta um corpo. Conhecia o caminho e encarava o chão, sempre os mesmos passos. Alguma coisa impediu-o de pegar o onibus aquela noite, talvez um tipo de consciencia interna ou divina, mas isso não mudaria seu apreço pela solidão pacifica que aquela noite proporcionava.
Não conseguia evitar a onda de pensamentos e conclusões que tomavam-lhe o corpo, grudando a sua mente como as roupas grudavam na pele fria.
O ar não era completamente macabro... Algumas ruas adiante seu caminho seria iluminado na movimentada avenida. 
Uma sombra aproximou-se. Com um guarda-chuva em punho, um velho de terno tirou de Will toda a sensação de leveza e liberdade. Fora protegido da chuva, como se dependesse da ajuda de alguem. 
Não pensou, apenas se afastou, rápido, em direção a rua errada. Errou a saída seguinte e parou atrás de uma garota que carregava os sapatos nas mãos.
Seu coração parou de bater. Havia nela uma aura que inspirava finais. Um balançar de ombros que clamava por ele. Esgueirou-se sorrateiramente pelo seu corpo a vontade de cumprir o que seu instinto mandava.
Aquela fome específica era tudo que latejava em sua mente. 
A negação de uma moral era algo que não preocupava-o, naquele momento a moral era aquela. Tudo estava certo, perfeitamente encaixado. A menina batia os pés nas pedras, respingando água em todas as direções. 
Will era silencioso. Um sorriso felino brotou dos seus lábios, apressou a caminhada, mexia no anel sistematicamente. Queimava-lhe a garganta toda aquela convicção.
Agora muito pouco o separava do que tinha de ser feito. Ele sentia uma calma interna ao mesmo tempo em que uma agitação movimentava-lhe o corpo com mais velocidade. 
Sentiu a garganta secar, sua voz sumiu com as gotas de chuva que lavavam seu rosto. O cabelo tapava a face e nada podia protege-lo de si mesmo.
Ela parou de caminhar na frente de uma pequena casa amarela, entao entrou e fechou a porta atrás de si. Will ficou observando por um tempo. Sentia-se fraco por não ter seguido sua intuição. Seria tão fácil passar as mãos em torno do frágil pescoço da garota. Derrubá-la no chão e amarrá-la a mesa. Cortaria a carne, pouco a pouco, sentindo cada deslizar de sangue. Ela iria gritar e implorar. O mais importante, porém, é que ele teria o poder sobre ela. Cada respiração que a garota quisesse dar teria de ser autorizada por ele, os pesadelos dela seriam sobre ele e o momento que passariam juntos.

A porta abriu novamente. A garota surgiu, ainda descalça, no vão da porta. Ela sorriu:
- Você não vem?

Revoltada

Ele percebeu o súbito interesse da multidão. Intercalou sorrisos e longos olhares enquanto desfilava suas idéias pelo recinto. Da aceitação a revolta, diversos sentimentos tomaram o lugar. Ao fim do discurso, virou-se para si mesmo, sem prestar atenção na reação das pessoas. Estas pouco importavam. Sua missão era apenas dizer o que precisava ser dito, não estava ali para converter ninguém a sua filosofia de vida.
A atmosfera ao seu redor, portanto, pesou.
A garota ao seu lado tomou as dores da revolta que iniciava-se. Em descontentamento, alguns se opunham ao raciocínio apresentado. Nervosa, ela ergueu a voz. Não sabia o que falava, mas teve de falar alto e com convicção até que o último murmurio cedeu a sua voz.
Como alguem ousaria questioná-lo? Quem estes malditos insetos achavam que eram para negar a palavra de alguém tão sabio?
Eles que queimassem no inferno das próprias convicções, sem ter coragem de pensar sobre o que o rapaz havia exposto. O discurso abriu uma caixa que não deveria ter sido aberta diante tamanha estupidez.
A raiva curvou os lábios da garota, um opacidade de ódio ardente queimou seus olhos, cada músculo do seu corpo contraiu-se.
Seu pequeno acesso de raiva não passaria despercebido por ele. Ela tambem não se importava. Gostava da presença dele e das suas opiniões. Que assim fosse, se tivesse de ser. Ela não negaria os fatos:
Sabia que, a partir daquele momento, ela teria de falar a verdade...


Uma história

Ela provocava com a ilusão de que era apenas aquilo. Intercalava futilidade com uma verdadeira profundeza emocional. Contentava-se em ser apenas interessante. Descobria, com imensa tristeza, não ser imortal.
Sobre ele... digo que há uma faca explicita no brilho dos olhos. A voracidade da sua alma selvagem é visível no seu incontentamento. O seu encanto surge do lado sinistro.
Aproximaram-se com uma espécie de expectativa controlada... surpreenderam-se. Tinham um sonho em comum: o pesadelo dos outros.
O plano deles incluía não negar a própria loucura e apoderar-se das dores alheias. sugando o que fosse lhes oferecido.
E assim começa um novo capitulo.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Separamo-nos

Amor, amado, querido amigo, não correspondido,
Falta em ti a coragem de crescer ...

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Dance

DANCE





mas, não dance para ninguém,

Dance para si mesmo, 

rodopie em torno dos seus sonhos,
não faça duetos com quem não sabe cantar,

Não apresente para o publico errado,
não coma demais antes de subir ao palco,

Deixe-se ofuscar pela luz dos holofotes,
mas não perca a humildade,

JAMAIS DESÇA sob vaias,

aplauda a si mesmo,

caia,
levante,

Use sapatilha, bota, pés descalços, patins, all star,

adapte-se a música

e quando as cortinas fecharem

estará pronta
para agradecer ao público



"Troque o título DANCE por VIVA e adapte o texto a isso. deveriamos."


Paixões de rotina

As vezes acordo decidida a me apaixonar, faço planos com pessoas invisíveis, prometo mudar, melhorar, crescer. Sorrio para todos e brinco com o cordão do calçado.

Então, 

me olham torto,

 e fico tão perdida! 

Foi-se meu dia perfeito! 
Tão facilmente abalável... Me vingo! 
Obviamente... mostro a lingua pra eles.
Ousam dizer "Quem mostra a lingua pede beijo!"

Beije, ora, pois. Salve meu dia! Onde já se viu? Loucura dessas? Viver um dia INTEIRO sem morrer de amor?

Que seja, pelo que for! Um doce novo, um cachorro alegre, um abraço eterno, um livro com cheiro de livro! E que seja por tudo isso.

 Apaixone-se pela simples idéia de se apaixonar.


Fome de fugir

Arranha as portas da alma,
gritando por mar e ar,
a ser vivida, doce vida;

Quando sai, nao sai,
joga-se de encontro ao mundo,
violentamente buscando viver;

Quer o mundo, quer promessas,
quer alguem, 
não quer mais nada;

Busca muito, 
por todo o mundo,
lugar errado e sonho imbecil.


Crazy people's notes


STALKER

I glance at her,
 the soft lights filled the room,
I dare not to look,
just the blurry image 
and her smell,
would hold me
for more one day 



BORDERLINE

I got scream,
gotta cry,
gotta run,
cut my hair
or maybe
cut my wrist,
Need to dig,
find, 
hide again,
I gotta live,
live, live,
 time is running 
so freaking fast
as I write this shit.

SUICIDE GIRL

When tears burn my face,
and pain take my hearth,
When light
is no longer bright,
I sink into my blood;

Why not
to be free again?
Why not
to let it go?
Why not to make myself
a first page
suicide girl?


BLOOD SEEKER (psychopath)

I cut the skin and as the skin is cutted
I can take the life and eat it with my eyes
Them I just stuck the dead meat
inside my dreams
and wake up to go to work
So I can do it again, again and again
next night, justice is in my hand,
I am the chosen one

Explico o adeus

Se parti
não foi por covardia;
Estava na hora
de começar a viver


A vida na visão não vivida


Vê-se a navalha
rasgando a pele,
em um carinho,
o sangue brota
e desliza na pele,
quanta pele,
pra pouco corte,
cicatrizes virão,
e por que sangramos
sujamos as mãos.

Princesinha (spoiled)

Quero ser achada,
sem estar perdida, 
quero ser amada,
correspondida,
mesmo quando não me entendo
tenho vontade de ser salva,
os poemas me mimaram:
felizes para sempre...?


Crescer


É sempre a mesma pessoa
embora tão diferente,
há no mesmo sorriso
um brilho inconsequente

Um vilslumbre do espelho

Abro o armário
e encontro o que não quero,
Luto por algo
e encontro nada além
do que já sabia,
Procuro respostas
e só encontro a mim.


Amar em azul

A vida é feita de futilidades
e outra pequenas trivialidades,
amor de verdade, 
coisinhas assim,
meio amenas,
que passam despercebidas,
por pessoas pequenas;
Como ousamos não perceber:
As marcas em fotos antigas,
quando a água tem seu sabor
e como a vida passa ligeiro
pelos olhos do locutor?

Como deixamos passar:
Um dia perdido,
um sorriso não correspondido,
um ideal incompreendido
ou a chance de ajudar?


Falamos sobre vida,
morte, natureza e amor,
tudo meio ligado,
sendo do ser humano
paixão e terror;

Como não percebemos:
A singularidade dos flocos de neve,
as folhas dançando ao vento,
pombos dançando jazz
e a sutileza do azul turquesa?

Cleptomaníaca de corações

Durará o que dure
o profundo
SILÊNCIO
Enquanto meu guia for teu AMOR
e meu destino
AS ESTRELAS
Mas, sempre a frente,
meu amor,
e
jamais ao teu lado...

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Obs.

Ela ficou sentada no meio da praça, os cabelos brincando com o vento, observando os Pombos dançarem, sacudindo as cabeças ao som de Jazz.

Soneto ohne Heimkehr

Sonett ohne Heimkehr 

In der winternacht
Du, die Erkönig
Den unbekannten Gott
Worte zusannengügt;

Komm, sage mit,
Selinger Tod;

Wenher ungöück hat
Reiben die worte
Ihn auseinander;

Wolteich meine seele vetter
In harmesnächten;

Es ging nicht;

Liebe von sachliche romanze,
Mit lächeln geschrieben
Gedichte zu lesen;

Wo?
Geheimnis, dessen sinn ich nie verstand.

Olhares

Achei que nao. Agora mudei. Cai de um céu, daqueles com borda azul marinho, que nem fundo do mar, ou aqueles m&m's que eu sempre perco. E fui descendo em um azul que mais parecia um por de sol no verão, tudo isso pra encontrar uma borda caramelo, escorregando como mel em direção a um redomoinho negro, onde tudo começa e termina. Sabe quando algo te chama atenção pela beleza, mas te segurança pela força? Se fui atraída pelo mar e céu daqueles olhos, foi no negro com ar de infinito que tranquei a respiração. Enxerguei um vermelho por trás do preto, dançando lentamente, fingindo nao existir, mas ele estava ali. Onde termina a mansidão azul e começa o abismo. Entre o que reprimimos e evitamos, na fronteira com o que jamais diremos. Como pode um olhar dizer tanto? Gosto daquele olhar. Nao os olhos, nao o azul cor de verão, mas o mergulho que dou cada vez que encontro o olhar. Aquela sensação de queda, força, que vai se suavizando enquanto fico próxima do chão, só pra novamente enxergar um abismo adiante. Entre dois pólos me perco. Se o chão desaparece debaixo de mim sei que tem algo haver com aquele movimento de cabeça, aquele erguer involuntário de sobrancelha e aquele brilho selvagem e cansado de lutar que encontro nos olhos dele. Dentro de um vermelho que ninguém vê, logo onde o azul esconde a dor com uma docilidade de animal adestrado. Agora, se por uma casualidade aquele caramelo aumentar, me sinto impelida a sair. Sei que algo esta errado e nao sei como ajudar. Toda vez que sinto o vermelho triunfar, vejo um cansaço dolorido, diferente do que esperava. Sem peitos ofegantes em fim de tarde, é um cansaço cadavérico do qual tenho tanto medo quanto anseio por encontrar. Os segredos da alma se escondem naquele olhar e me sinto indigna de estar naquela presença. Tenho medo de um por-do-sol prematuro que me deixe sozinha a olhar o nada. Aconteça o que acontecer, me olhe sempre assim. Quando eu corar de vergonha, quando sorrir de nervosa, quando tentar ser guerreira, quero poder encontrar teu olhar no final e escorregar naquele abismo que nao me deixa cair. 

Observações sobre minha geração

no reino animal, em busca de acasalamento e companhia e sei lá mais o qe, os machos erguem exuberantes penas, lutam entre si, tudo para buscar a atenção da fêmea. entre os humanos, o papel se inverte. mulheres usam as mais curtas e justas roupas, alem de uma coleção de melecas no rosto e no cabelo, tinta, maquiagem, tudo com o intuito de chamar a atenção masculina. tudo isso para que o macho copule com a fêmea e tire vantagem disso. assim sendo, o macho fica conhecido como "o pegador " e a fêmea como "a PUTA". nao sei se é por orgulho desta nomenclatura ou por desconhecer a mesma que a mulher continua a buscar o reconhecimento masculino. de qualquer maneira, este é só um dos exemplos que prova que o mundo ja nao eh mais o mesmo, e exigir romance e cavalheirismo de um macho adaptado a este meio é o
mesmo que pedir a uma tartaruga que voe. 

PARANÓIA MINHA

Andei fazendo as contas, são 8 livros inacabados, com pelo menos 60 páginas cada um. Meu recorde é em "O diário de uma imortal pessimista", vulgo "Blood suckers", com 263 páginas em Arial 12. O problema dos meus livros é que a idéia é interessante, me apaixono pelos meus personagens, o final é bom, mas o meio me deixa nervosa! Nao, nao o meio do livro, mas o meio social... O que vão dizer da minha aparente loucura ao ler o que escrevo de mais profano nos meus livros? é diferente do que o que escrevo aqui...  E me falta coragem de mostrar pra alguem.

Livro, livro, livro, livro e livros novos

Tentando continuar o meu livro de 2009. Vendo se a inspiração não resolve me encontrar, mas é difícil saber o que meus personagens vão fazer agora... Pensei em perguntar as pessoas que me inspiraram a cria-los: o que elas fariam agora? 
Pensando... pensando...
E o meu livro, o da editora, que tinha sido aprovado e tudo mais, não vai rolar. Não aceito que algo de tão baixa literatura alcance as prateleiras. Auto-crítica não é um dos sete pecados capitais, é?

Novo anjo



Novo anjo
Se tu tens sofrido
Como teus olhos entregam
Derrame a tristeza
Em gotas de sal;

Nega o sangue
Do amadurecido coração
Nas veias metálicas
De um corpo sem alma;
Mãos de artista
Esculpiram teu rosto,
Coloriram teus lábios;
Reformado homem
Por que mudaste
Se tua eterna beleza
É tua chama da vida?
Vejo o reflexo azul
Sob cílios de vidro,
Teu corpo imóvel
Em pele de neve crua.
Rosas do meu jardim


Morte em tres poemas


Marcha da sepultura
A marcha começa cedo,
Antes do sol, antes dos corvos,
As arvores correm seus braços
Pelos caminhos que todos percorrem,
Silenciosamente, rezam baixinho;
E conforme surgem paisagens,
De concreto, de flores mortas,
As sepulturas se erguem
Chorando por quem da marcha há de ficar


.

Quando eu partir
Quando eu partir
Lembrem do meu sorriso,
Não dos meus olhos fechados
A encarar o vazio
Da minha mente já adormecida;
Quando eu partir
Abandonando minhas coisas de vivo,
Não se preocupem com herança,
Não pretendo levar nada
para alem daqui;
Quando eu partir,
Em direção a um nada esquisito,
Lembrem dos lugares
Que fomos juntos,
Que fui sozinha,
E se deixem levar;
Quando eu partir,
Cuidem bem dos meus amigos
Que secaram minhas lágrimas,
Que compartilharam meu riso
E seguraram minhas mãos;
Quando eu partir
Não quero flores,
Não condenem as cores
De tantas belas flores
À uma cova silenciosa;
Quando eu partir
Não quero musica,
Quero só o murmúrio
Dos meus bons amigos
A lembrar de mim;
Quando eu partir
Não quero lágrimas,
Quero que todos se vistam
Como no carnaval,
Quero ter sorrisos
Rodeando-me
No ultimo dia encima do chão;
Quando eu partir,
Deixem-me dormir,
Sem perder seus sonos,
Quem partiu fui eu,
Chegou a minha hora de alimentar flores.



Seduzida pela morte
Tomamos banho de lua
Logo atrás dos muros de musgos
Observando as flores contar
Quais eram os segredos dos mortos;
Ouvi as historias antigas
De quando ainda eram piratas,
Princesas, mendigos e padres,
De quando respiravam encima da terra;
Na companhia de um desconhecido
Fiquei a observar os mortos
Perguntando-me em que dia
Eles seriam todos esquecidos
E seus restos virariam poeira;
Cercada de névoa de morte,
Observei o sorriso das arvores,
Oferecendo-me nas suas raízes o conforto
De não me preocupar com este mundo de vivos.