quinta-feira, 11 de abril de 2013

Aprisionados ao tempo


O dia em que os demonios foram aprisionados no relógio, os anjos dormiram, enfim. Os prisioneiros, mergulhados em um infinito barulhento, rangiam todos ao mesmo tempo. Condenados, girando nas agulhas do tempo, sentiam uma mórbida sensação de prazer. Era como se um calor subisse-lhes pela virilha delicadamente a cada oscilar do ponteiro. Presos ao tempo, pensar tornou-se estupidez, presos ao tempo, agrava-lhes o aquecer das intimidades, presos ao tempo, viviam como animais... ou pior... como humanos...


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