O dia em que os demonios
foram aprisionados no relógio, os anjos dormiram, enfim. Os prisioneiros,
mergulhados em um infinito barulhento, rangiam todos ao mesmo tempo.
Condenados, girando nas agulhas do tempo, sentiam uma mórbida sensação de
prazer. Era como se um calor subisse-lhes pela virilha delicadamente a cada
oscilar do ponteiro. Presos ao tempo, pensar tornou-se estupidez, presos ao
tempo, agrava-lhes o aquecer das intimidades, presos ao tempo, viviam como
animais... ou pior... como humanos...
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