segunda-feira, 1 de abril de 2013
Olhares
Achei que nao. Agora mudei. Cai de um céu, daqueles com borda azul marinho, que nem fundo do mar, ou aqueles m&m's que eu sempre perco. E fui descendo em um azul que mais parecia um por de sol no verão, tudo isso pra encontrar uma borda caramelo, escorregando como mel em direção a um redomoinho negro, onde tudo começa e termina. Sabe quando algo te chama atenção pela beleza, mas te segurança pela força? Se fui atraída pelo mar e céu daqueles olhos, foi no negro com ar de infinito que tranquei a respiração. Enxerguei um vermelho por trás do preto, dançando lentamente, fingindo nao existir, mas ele estava ali. Onde termina a mansidão azul e começa o abismo. Entre o que reprimimos e evitamos, na fronteira com o que jamais diremos. Como pode um olhar dizer tanto? Gosto daquele olhar. Nao os olhos, nao o azul cor de verão, mas o mergulho que dou cada vez que encontro o olhar. Aquela sensação de queda, força, que vai se suavizando enquanto fico próxima do chão, só pra novamente enxergar um abismo adiante. Entre dois pólos me perco. Se o chão desaparece debaixo de mim sei que tem algo haver com aquele movimento de cabeça, aquele erguer involuntário de sobrancelha e aquele brilho selvagem e cansado de lutar que encontro nos olhos dele. Dentro de um vermelho que ninguém vê, logo onde o azul esconde a dor com uma docilidade de animal adestrado. Agora, se por uma casualidade aquele caramelo aumentar, me sinto impelida a sair. Sei que algo esta errado e nao sei como ajudar. Toda vez que sinto o vermelho triunfar, vejo um cansaço dolorido, diferente do que esperava. Sem peitos ofegantes em fim de tarde, é um cansaço cadavérico do qual tenho tanto medo quanto anseio por encontrar. Os segredos da alma se escondem naquele olhar e me sinto indigna de estar naquela presença. Tenho medo de um por-do-sol prematuro que me deixe sozinha a olhar o nada. Aconteça o que acontecer, me olhe sempre assim. Quando eu corar de vergonha, quando sorrir de nervosa, quando tentar ser guerreira, quero poder encontrar teu olhar no final e escorregar naquele abismo que nao me deixa cair.
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