domingo, 14 de abril de 2013

Voando só

Lila via-se de maneira diferente a cada segundo. Toda vez que passava na frente do espelho, já havia tornado-se uma nova pessoa. Cabelo, maquiagem, expressão, sentimento, vestiário... NADA durava mais do que um dia. Sonhava em prender-se a algo, na sua utopia uma corrente a prenderia ao mundo. 
Sonhava em pousar, mas não conseguia. Tão logo se prendia a algo, precisava urgentemente arrancar as amarras e sair voando. Partia-lhe o coração ir embora, mas também não conseguiria ficar. 
A cada vez achava que conseguiria AMAR. Amar de verdade.. Mas nunca era amor, era sempre outra coisa. 
No fundo sentia um pouco de felicidade ao deixar os outros para tras. Isso dava-lhe poder. O que doia, doia mesmo, era voar sozinha.
Mesmo assim sonhava, com o dia em que algo diferente aconteceria, e alguem a seguraria pelo pulso quando ela tentasse voar. 


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