quarta-feira, 27 de março de 2013

Surrealismo...


Atriz


Ela olhou diretamente nos olhos dele através da cafeteria lotada. trocaram um sorriso e ele caminhou até ela. Dentre as coisas que ele reparou, listo as seguintes:
Os olhos dela estavam pesados, em uma mistura de noites em claro e excesso de maquiagem.
Ela tinha manchas de tinta de cabelo no pescoço e nas mãos.
Suas mãos tremeram ao soltar o café.
- Com licença. Sou Julian Fontanari, repórter do Journal of....
- Deixe-me interrompe-lo neste exato momento. – ela descruzou as longas pernas e inclinou-se sobre a pequena mesa. Nola Jones, era o nome dela. Um novo sucesso da televisão, envolvida em tantos escândalos quanto se pode nomear.– Não estou disposta a conceder uma entrevista, os rumores são falsos.
Ela voltou a escorar as costas na cadeira, as mãos seguravam o café contra o peito.
- Você está bem? – ele perguntou, puxando uma cadeira para sentar-se na frente dela.
- Perdão, o que disse? – ela ergueu ambas sobrancelhas.
- Perguntei se você está bem.
- Extra-oficialmente falando? – tomou um gole de café – Não é da sua maldita conta.
- E se eu dissesse que... meus propósitos, meus propósitos são nobres, srta.
- Eu diria que você é um tremendo mentiroso.
Uma mulher que ouvia a conversa de soslaio deu uma risadinha a este ultimo comentário. O jovem jornalista ficou ainda mais nervoso. Tirou um gravador do bolso e colocou sobre a mesa:
- Alguem já deu-lhe a oportunidade de contar toda a sua história? Se eu prometesse contar todos os detalhes, tudo que você me disser, cada virgula. E assegurar, sob minha responsabilidade, que cada detalhe escrito será verdade absoluta?
- Já. Não estou interessada. Pague meu café.
Ela retirou-se da cafeteria, acenando com a cabeça para o caixa. O jornalista seguiu-a correndo, deixou algum dinheiro amassado sobre a mesa.  Debaixo da luz forte do sol, em um meio dia escaldante de verão, o jornalista reparou novas coisas sobre a estrela que o levaria ao auge. São elas:
Seu vestido era tão transparente que era possível ver a sua pele arrepiar-se.
Suas unhas estavam roídas até a carne aparecer.
Existia um brilho de curiosidade nos olhos dela.
- Posso oferecer-lhe uma carona. – Nola disse. – Mas apenas isso.
Ele correu na direção dela, cada passo era irritantemente ruidoso. Caminharam em silencio até o Prius, ele abriu a porta para que ela entrasse e então correu para entrar antes que Nola mudasse de idéia. Ela acendeu um cigarro e apagou-o no painel do carro, sem leva-lo a boca antes:
- As vezes esqueço que estou tentando parar. Quer anotar? Que estou tentando parar de fumar?
Julian correu os dedos pelas folhas do seu caderninho preto antes de anotar.
- Você, sinceramente, anotou isso?  O que espera conseguir, jornalista?
- Definitivamente, não uma entrevista. Você já deixou claro.
- E o que mais eu teria a oferecer?
- Companhia.
- Apenas companhia?
Ela inclinou-se sobre ele, arrancou o caderno das suas mãos e jogou pela janela. Ligou o carro depois de três tentativas e pisou no acelerador como se sua vida dependesse disso. Atravessaram a avenida movimentada e pegaram a estrada para a serra. Passaram-se alguns minutos, passaram por casas, passaram. Os freios falharam por uma fração de segundo e Nola estacionou perigosamente em frente a um caminho de terra. Uma casa branca se erguia imperiosa, mostrando ter desafiado os anos com sucesso.
- Você mora aqui?
- Não. Em Londres. 221B Baker Street.
- Mentirosa! – ele exclamou.
- Verdade, divido o apartamento com Sherlock Homes. Sem perguntas, você disse.
Ela sentiu as lágrimas se acumularam sob seus olhos. Julian tirou o cinto e abraçou-a inesperadamente:
- Sinto muito. Por todos nós.
Nola desvencilhou-se do abraço, tirou o cinto e apoiou o corpo na porta. Seu indicador puxou o trinco e ela deixou-se cair. Ficou deitada no chão, o calor da rua machucava sua pele:
- Devia sentir.
Ficou em posição fetal por alguns segundos, Julian havia ajoelhado-se ao lado dela,  olhava-a com pena. A mente da garota se embaralhava e zunia em um infinito de pensamentos mal formulados, ela fechou os olhos com força e esticou a mão para alcançar a dele.
Julian segurou o braço que ela havia alcançado, correu os dedos por ele até chagar a cintura e com ambas as mão puxou Nola até o seu peito. Ela aninhou-se no colo do rapaz, como uma criança, e ficou respirando ofegante. Pela primeira vez desde que a vira pessoalmente ele não se sentiu excitado por ela, mas sim atraído. A fragilidade, sensibilidade e dor humano o comoviam. Observar uma beldade como Nola sair da sua impecável pose de rainha do gelo para se deixar abraçar era uma das coisas mais lindas que ele já havia visto.
 O calor havia amenizado, mas suas roupas estavam encharcadas de suor.  Nola cobriu o rosto com as mãos, mas não escondida lágrimas ou maquiagem borrada. Não havia lagrimas ou maquiagem borrada, só uma expressão de sofrimento estampada em seu rosto. Seus lábios roçavam levemente o ombro do rapaz.
- Solidão. – a voz dela saiu rouca. – É isso que você vê em mim? Por isso é tão bonzinho?
- Não. É por que acho que posso te comer ou conseguir uma entrevista.
- Voce é rude. – ela exclamou.
- Sou sincero
-  Onde você quer chegar, jornalista? No topo da carreira? Ou prefere ficar encima de mim? Temos que tomar decisões.
Por um segundo Julian se pegou pensando se queria mesmo a verdade. Para que descobrir o segredo? Um show de mágica é melhor quando somos fielmente iludidos. A beleza dela era o ponto de distração, quando você parasse de olhar para o mágico com o coelho e a cartola, só para poder admirá-la, o coelho sumiria. E quem quer saber do coelho? Meu deus, olhem para ela!
Tres coisas que ele só havia percebido naquele momento:
Ela tinha uma tatuagem no interior da coxa.
Com os cabelos bagunçados, ela era a mulher mais linda do mundo.
Ela não queria viver por muito mais tempo.
 Isso significava que ele teria de conseguir a história dela rápido.
- Se você me permite perguntar... – ele pigarreou – O que te fez mudar de idéia?
- Não sei, jornalista.
- Mas, se tivesse de adivinhar um motivo...
- Bem – ela sorriu – Você é atraente.
Ele sentiu o ego inflar e as bochechas corarem. Não era uma garota qualquer que estava dizendo-lhe isso, era uma das mulheres mais sexys e influentes de todo o mundo. Uma garota popular, inteligente, atraente, escolhendo ele, entre todos os outros.
Ela começou a levantar-se devagar, agarrada a maçaneta do carro.  Ele pegou as malas dela, a bolsa, as chaves. Levou tudo para dentro, o carro ficou mal estacionado na entrada. Antes de fechar a porta, Nola olhou ao redor. Respirou fundo o cheiro das arvores e da terra molhada. Gostava disso. Uma van se aproximava ao longe, temendo ser mais repórteres e jornalistas, a garota entrou e trancou a porta, girando três vezes.
Julian esperava no meio do cômodo, notou o olhar de pavor estampado no rosto dela. 
- Preciso de um banho.- ela disse, com as mãos tremendo.
Saiu de cima dos saltos e correu para o segundo andar da casa, agarrada no corrimão.  Ele fechou as cortinas, a van estava parada perto da casa.
Ele ouviu o som da água quando a garota entrou na banheira. O banheiro estava mais escuro do que o resto da casa, metade do rosto dela estava na penumbra, Nola franziu o nariz e moveu a boca de forma engraçada. Alexander não podia vê-la, mas imaginava.
- Nola? – ele bateu na porta uma vez – Eu preciso voltar para o hotel, nos falamos amanha?
A porta abriu-se, ela estava agarrada na toalha, os cabelos molhados. Seguem-se as anotações mentais daquele jornalista:
Ela consegue ser ainda mais bonita sem maquiagem.
A água escorre pelo corpo dela e brilha debaixo da luz fraca do corredor.
Eu não posso ter uma ereção agora. Seria antiético.  Certo?
- Do que você precisa? – ela perguntou.
- Minhas roupas e minhas anotações. E preciso dormir um pouco... Comer alguma coisa.
- Mi casa es su casa. Mande alguém trazer as suas coisas e a cozinha é logo ali.
Ela apontou para o andar de baixo, a toalha escorregou um pouco, deixando a mostra boa parte dos seus seios. Julian não conseguiu desviar o olhar.
- Ou... – ela começou a falar, a toalha caiu no chão – Podemos aproveitar o tempo de maneira diferente.
Julian ficou olhando para ela, a boca aberta, nenhuma palavra conseguia ser formulada na sua mente. Nola havia decidido o que queria no momento em que viu ele pela primeira vez. O fato de ser jornalista era só um contratempo. Ela podia ter o que quisesse, ela ERA Nola Jones, pelo amor de Deus! O mundo curvasse aos seus pés. 

O herdeiro


Indiferentes a neve que caia do lado de fora, os convidados da festa giravam pelo salão em seus trajes caros e com suas mulheres elegantes. Longos vestidos de cetim, algodão ou seda roçavam ao som das valsas, vinhos desciam pelas gargantas, risadas ecoavam nas enormes paredes adornadas de lindos detalhes em ouro. Galhos secos e desnudos pelo tortuoso inverno batiam nas enormes janelas e eram calados pelo som do violino e do piano. Adoráveis mulheres rodopiavam com bandejas cobertas de bebidas e rostos cheios de falsos sorrisos, lindas esposas sorriam com falsa esperança, belos maridos pensavam em outras mulheres, ainda assim tomando suas próprias nos braços.
O uivo dos ventos prometia uma grande tempestade.
O anfitrião observava o chão desaparecer debaixo de uma espessa camada de neve branca e fria com enorme satisfação, nada no mundo poderia abalar seu humor. Afastou-se da janela e arrumou a roupa diante do espelho, estava na hora de aparecer na festa. Deslizou a mascara pelo nariz e deixou-a se ajustar nas maças do seu rosto pálido. Contemplou sua imagem por mais um momento. Ele era o grande Lucius Mandatte.
Debruçou-se no topo da escadaria para observar os convidados. Os homens eram mais discretos e sutis equilibrando o ambiente com uma cor crua, mascaras negras, brancas, marrons e cor de vinho, sem grandes exageros ou suspiros. Mulheres, jamais negando sua natureza caçadora, usavam vestidos longos, armados e exagerados, espartilhos dolorosos, jóias de ouro e penteados estonteantes. Máscaras por todo lado. Música e álcool embalando a noite.
- Senhoras e senhores – a voz cruzou o salão com grande impacto teatral, como esperado – Bem vindos ao meu humilde baile.
Todos riram. Atlas, o seu filho mais novo, aproximou-se por trás e passou o braço sobre o ombro do pai:
- Estamos, ironicamente, arrecadando fundos para ajudar os... menos afortunados. Façam suas doações para mitigar a culpa por seus exageros ridiculos.
Lucius sentiu as bochechas corarem de raiva. Um sinal foi mais do que necessário para que seus empregados retirassem o garoto do seu alcance. Os convidados sorriam ainda, mas o ar no salão de baile havia tornado-se pesado. Atlas surgiu do lado oposto da escadaria, agarrado a um microfone e uma taça de champagne:
- Estou certo de que nenhum de vocês me conhece – começou a falar, sua voz grave, tinha uma sinistra melodia que lembrava a riqueza e assassinatos – E conheço a todos vocês. Não acho justo esta vantagem que tenho.
Todos olhavam para o jovem, incrédulos. Ele passou a mão pelos cabelos negros e sorriu. Ele havia aberto a caixa de Pandora e agora observava calmamente a irritação crescente. Atlas sorriu para os rostos conhecidos e concluiu:
- Bebam vinho, ouçam boa música. Logo a magia vai cessar, a música vai se calar, a luz desligar, o sol raiar e um dia comum surgirá. Aproveitem, caros amigos, até o fim. Ele está mais próximo do que imaginamos.
Um estrondo macabro surgiu de algum lugar não identificado enquanto Atlas mergulhava no meio da multidão, sempre sorrindo. Seu pai tentava, com dificuldade, acalmar os ânimos.

Viciada


As nuvens variavam em tons de rosa e lilás enquanto rodopiavam a sua volta. O frescor mentolado da fumaça agarrou-se ao corpo da garota como se pequenos lábios soprassem-lhe a pele macia. Estrelas azuis começaram a piscar na sua frente, passaram a ser roxas e então vermelhas, foi aí que uma imensidão de cores brilhantes explodiu. Era como se ela flutuasse em um universo e então, subitamente, passasse a fazer parte dele. As estrelinhas grudavam em suas mãos e rosto. Aproximavam-se cada vez mais, de todas as direções. Ela tinha o corpo completamente coberto de estrelas. Seus pés flutuavam em um vazio infinito. Uma platéia de planetas a aplaudia de pé, reverenciavam a sua magnitude. Ela girou e girou e girou até pousar delicadamente em uma superfície macia. A terra abraçava os seus pés. A constelação sussurrava seu nome ao longe e a escuridão começou a abraçá-la. Nunca se sentira tão bem, tão confortável e feliz.  Então, um clarão de luz branca a cegou. Tudo era eternamente branco e dolorido. O chão de concreto machucava as suas costas. Passos e gritos ecoavam pelos corredores.
Arrastada violentamente à realidade, gritou por Joshua. Ao redor havia fogo e fumaça cinza, o alarme de incêndio anunciava que o prédio teria de ser evacuado imediatamente. Parecia possível ouvir o som de ossos sendo quebrados na correria para fugir do local. Não havia mais estrelas ou brilho cósmico, era tudo fumaça, barulho e dor. A sala estava vazia e vários objetos,  quebrados. Todos haviam corrido por suas vidas e deixado ela para morrer.
Ergueu-se com dificuldade usando a cadeira como apoio. As pernas ainda estavam bambas e era difícil enxergar através da fumaça. A porta se confundia na escuridão, o espaço a sua volta teve que ser tateado para que ela encontra-se a saída. Em algum momento ela foi erguida no corredor, mas não conseguia se lembrar de ter caído. Uma mulher chorava copiosamente contra a parede, agarrada ao cadáver coberto de fuligem de um bebê. As vigas do prédio despencavam sobre as pessoas. Todos gritavam. Uma sirene se aproximava ao longe.
Entre a fúria e a dor, ela enxergou Joshua curvado poucos metros à frente. Ele não se movia, apenas encarava o chão. Ele pressionava uma ferida com a mão, tentando estancar o sangue. Ela aproximou-se do rapaz e ajudou-o a caminhar até as escadas. Uma criança agarrou a sua perna, implorando por ajuda. Uma viga cruzava uma das pernas da menininha. Sangue escorria pela boca de Joshua e sujava o cabelo da criança em prantos, o peso dele estava quase impossível de carregar. Ela decidiu-se pela menina.
Tirou o seu colar de dentro da camisa e amarrou-o na coxa da garota, acima do ferimento. Com o laser, cortou a perna fora. Muito sangue escorreu antes que os nano robôs do seu laser fizessem o trabalho de estancar o corte. Não duraria muito. Ela jogou a criança sobre o ombro e correu escadaria abaixo, sem se atrever a olhar para Joshua uma última vez.
Não parou de correr até que alcançasse o fim do quarteirão onde duas ambulâncias estavam estacionadas e pedindo por mais ajuda. Os bombeiros ainda não haviam chegado, mas a policia já barrava os sobreviventes para inquérito, apesar do perigo de explosão no local.
Alguns paramédicos correram ao auxilio dela, tirando a menina das suas mãos. A garotinha gritou e debateu-se, não querendo soltar a mão da sua salvadora. Com algum esforço foram separadas. Um homem balançava uma lanterna na frente do rosto dela, enquanto a menina era carregada para longe:
- Você vai ficar bem. Qual o seu nome?
A luz incomodava seus olhos. Ela fixou o olhar nos olhos escuros por detrás do brilho fixo.
- Olha para a luz. – a voz ordenou, e depois, em um tom mais gentil: – Qual o seu nome?
Dois policiais caminhavam na direção deles. As pernas não responderam ao comando de fugir. Os homens se aproximavam dela. Quando agarraram-na pelo ombro, ela começou a debater-se  e gritar. Caia, sangrava e era jogada longe com violência. Levantava suja com o próprio sangue e voltava a chutar e debater-se. O paramédico não havia se movido, a lanterna ainda apontava para ela. Ele percebeu que ao ser segurada pelos policiais ela não estava usando toda a força. A tensão nos seus músculos era fraca durante a luta. Ela parecia querer ser derrotada.
Derrubaram-na, finalmente, e algemaram suas mãos. O policial maior montou sobre as costas dela e bateu a cabeça da garota contra o chão até que ela ficasse inconsciente. A luz da lanterna ainda iluminava o seu rosto.
A menina estava bem.
Ela fechou os olhos sorrindo, e então dentro dela alguma coisa simplesmente parou.

Bons amigos


A solidão era uma estranha a acompanhá-lo nos dias atuais, ainda se familiarizavam cada qual ao olhar od outro. Ela o emaranhava entre suas coxas ao anoitecer e estava sempre pressionando-lhe o peito pelas manhas. Mesmo quando saiam e mergulhavam na eternidade da noite, não separavam-se. Nem por um segundo. Ela mordiscava-lhe a orelha em meio a multidões para lembrá-lo de sua presença. Ela acompanhava-o, para que ele nunca esquecesse que estava só.
Compartilhavam a cama, o chuveiro, a comida e o sofá. Quando o telefone tocava, ela corria par o seu colo e deixava seu peso sufocá-lo. Quando mais ele tentava afastá-la, mais íntimos ficavam. Tão íntimos que ele deu-lhe um nome. Chamou-a de Saudade. Não havia passada pelo corredor em que ele não beijasse o pescoço de Saudade. Convidava-a para ver filmes estrangeiros, comer pipoca barata, planejar viagens impossíveis, dormir de conchinha. 
Ele passou a leva-la para jantar fora. Apresentou Saudade aos seus conhecidos. Ela, por fim, cansou. Acabou por mudar-se. Não foi para longe, morava a algumas quadras dali. As vezes surgia na madrugada, de surpresa. Ele então a convocava para posar em seus poemas e servia-lhe amores de infancia.

Seus amigos é que não compreendiam por que ele não mandava Saudade embora, 


mas na verdade ele até apreciava beijar-lhe a nuca e trocar silêncios, 
de tempos em tempos.