Por que as pessoas têm tanto direito de
errar quanto eu tenho de julgá-las por isso.
Laranja
fluorescente
O fogo subiu as
escadas,
Esticou as mãozinhas
ao céu,
Crescendo como
criança
Que só cresce por que
alguém vê;
Depois começou a
sumir
E com ele levou a
esperança
Dos que ainda não
puderam nascer.
Pessoas
Somos formigas
correndo
Nas calçadas lotadas
E cheias de nada;
Carregamos as folhas
E pequenos desenhos,
Sendo pisadas;
Corajosas formigas
Pelos pés
massacradas.
Do meu tempo
Era uma vez
Os emos versus a
coloridade,
Um provando pro outro
Qual dá mais
publicidade.
Quem? Eu? Eu não!
Não sabe-se que vi,
Ora pois, não vi!
Se achas que desacato
é teu rosto
Experimente o espelho
da alma
E verá
- tão terrível quanto
possível –
Um completo estranho
Pior do que se
imaginou.
Guerra
As guerras estão
perdidas,
A morte drena a
inocência,
Sobreviventes são as
vitimas
Dessa tamanha
incompetência.
Soneto para um
(sim, eu sei que sonetos são para só uma pessoa)
Já vaguei por muitas
estradas
Sem me mover uma
quadra,
Já olhei para muitos
rostos
Quando meus olhos não
vêem nada;
Sou uma das que não
respira
Continuamente entre
vida e morte,
Longe de qualquer
inferno
Sem noticias do
paraíso;
Entre mortos e vivos
Há um coração que
bate.
Descanso
Deita no meu ombro
E escuta este
respirar
- é Baltazar-
Cada respiração mais
perto
Mais perto de te
levar.
Sociedade
decadente
Acha que são felizes?
Ande pelas ruas e me
diga quem é feliz;
Parecemos animais
assustados
E grudados na TV;
Ouvimos zumbis
afiados
Falando de uma
felicidade perdida;
Verá as massas de
gente
E suas lojas de
departamento;
Subimos e descemos as
escadas
Feito robôs
enferrujados;
Ninguém conhece
ninguém,
Não sabemos o que é
viver;
Acham que a
felicidade está ao alcance,
Mas não é possível se
dizer.
Nuclear
As crianças não se
importam
- são as únicas a não
se importar? –
Me ensina a desmontar
Uma arma nuclear;
Por que ir contra a
onda?
Para que se arriscar?
Para que lutar por
algo
Se souber que não vai
ganhar?
É o governo, a
sociedade,
São valores
culturais,
Vou nadando contra a
corrente
Aprendendo a
desmontar uma bomba nuclear.
L’Historie de la revolucione?
Lutar não é o
objetivo,
Pela luta chegamos
Ao lugar pelo qual
lutamos:
Lugar nenhum;
Lutamos por nada,
Lutamos sem razão,
Lutamos sem motivo,
Uma luta em vão;
Uma guerra fria
Leva a vida dos que
guerreiam
E a vida dos que
estão no lar;
Chore pelos que
lutaram,
Chore pelos que vão
ficar,
Quando vamos lutar
Para a guerra
terminar?
Fábrica de pessoas
Um anel de diamantes,
Desejos fúteis, não
entendidos,
Fabricamos uma massa
móvel
De zumbis
incompreendidos;
A ética da certeza,
A incerteza de um bom
mentiroso,
Somos todos bonecos
movidos
Por um infinito
meticuloso.
Goblins
A vida é um roubo
Tão fácil de enganar,
Todos reclamam de não
ter amigos
Ninguém tenta
consertar;
O governo impõe suas
regras,
Revolução não é
solução,
Como goblins é mais
fácil enganar
Do que apenas tentar
lutar.
Cicatrizes
Diga sim e diga não,
Nada muda,
Continuamos a chorar
Pelos corpos
espalhados,
E eles ainda estão
lá;
Não recolhemos nossos
mortos,
Alimentamos as
cicatrizes,
Destruímos o futuro
Do destino
meretrizes.
Um dia...
Chega!
Estou cansado deste
pensamento!
Movimentem seus
corpos,
Pensem diferente,
Não sejam todos
iguais;
Isso! Questionem-se!
Uma nova era se
inicia hoje
- Pausa para olhar
para o lado –
Certo, continuem
andando.
Falsa liberdade
São tantas palavras
sem nexo,
Tantos amores sem
sentido,
Uma nação corrompida
Pela liberdade de
expressão;
É tudo tão fácil,
Siga em frente e
sorria para a câmera,
- combata a
libertinagem? –
Governo vulgo
manipulação.
Invasão
Peço que parem as
armas,
Parem os tiros
E levem sua gente;
Peço que saiam com
honra
Para outro dia morrer
em paz
E que levem seus
mortos;
Peco que parem a
guerra,
Que vão embora
E me deixem em paz.
Mentira
conveniente
Quando não ouço sua
voz
Sinto o fim do mundo
Sem entender o que é
dor;
Os amores desejados
São os amores
proibidos,
A parte boa é o fim;
A mentira dos
espelhos
É a recompensa dos
retardados
Que acreditam na
imagem
Refletida ao
contrário;
Não somos quem
pensamos ser,
Mentimos sem saber
por que,
Traímos na ilusão
De que é volúvel o coração;
Queremos o que não
temos,
Não entendemos o que
falamos,
Confiamos em uma
sociedade morta
E na sua redenção.
Filosofia do
caminho
Caverna, luz,
escuridão, cegueira,
Aqui está a mentira,
Lá está a verdade,
É passo a passo que
se move a realidade,
É passo a passo que
se lidera uma cidade,
É passo a passo que
se erra,
Que se perde...
O que se passou?
Anarquismo
Em uma sala de aula
Ouve-se o grafite e o
som de folhas,
Há os pensamentos
“Foda-se o sistema”
Eles diriam e ririam,
Se pudessem;
Eles queimariam as
folhas,
A escola, os
professores,
O uniforme e as
regras
Se pudessem;
Eles recomeçariam
Uma sociedade do
zero,
Cheios de planos
E grandes idéias;
Se pudessem fariam
diferente,
Só pra no fim dar
tudo no mesmo,
Seus filhos não
entenderiam
Nem mesmo os filhos
desses.
Motivos
Passamos a vida
inteira
Esperando um motivo
para viver,
Mas em vez de esperar
um motivo
Devemos viver sem
motivos,
Amar sem motivos,
Sorrir sem motivos,
Sonhar sem motivos
E nem precisa fazer
sentido;
Talvez devêssemos
Parar de esperar
motivos
E viver sem eles,
Talvez devêssemos
Querer viver sem
motivo
Por que...
E lá importa o
motivo?
Força
Deixem cair as armas,
as máscaras
e os chapéus de
penas,
derrubem os mantos
dourados
e a fachada de
futilidade,
deixe as lagrimas
escorrerem,
só não se permita
cair
e se cair;
se permita levantar
Rosto
Mentiras
São tão verdadeiras
nos teus lábios,
Fingidos orgasmos de
felicidade
E olhos de vidro;
Lábios maciços,
Pernas traiçoeiras
Que fazem seus
próprios caminhos;
Tu nada me entrega,
Nem ouse me amar,
Menino de madeira,
Sentimentos bem
cuidados
Que eu não ousaria
criar.
Preço da alegria
Cansada das cores
Eu ignoro o cenário
Preto e branco no
cinza
Da rosa dos ventos;
Caminhos incertos,
Tristeza medida,
Infância perdida
Na dobra dos ventos;
Ignoro o grito dos
mortos,
O uivo dos vivos,
O riso dos mudos
E o adeus dos
perdidos;
Ignoro cado não faça
sentido
E não se encaixe
Nos meus pedidos;
Pedaços roubado
Do meu corpo vegetal,
Não reajo, só aceito,
A fúria humana
animal.
Somos quem podemos
ser
Somos marionetes
Ouvindo as batidas do
destino,
Meras peças de
madeira,
Controlados,
Não por Deus,
Rei ou por demônios,
Mas pela platéia
Que aos berros bate
palmas.