sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Aquele que voa

Era uma vez um garoto, que eu amo e odeio. Ele corre mais rapido que o vento, pula tão alto quanto a mais alta arvore, sumindo da minha vista.. Ele é tão forte que sinto que levantaria um carro e então falaria malabarismo com ele e comigo e talvez mais uma moto, pra equilibrar... Ah, o equilibrio... Pula de tronco em tronco, de predio em predio, como se as proprias nuvens o carregassem com seus bracinhos fofos... E eu fico lá embaixo.. olhando pra cima, admirada.
- e então?
ele pergunta.
e eu responde que foi mais ou menos... que é perigoso, que já vi melhores... mas não é verdade
sei que sou errada, egoista, que deveria deixa-lo voar... 
mas a verdade, que me tras lagrimas aos olhos, é que ele é tão forte, tão veloz, tão inteligente, divertido, TÃO fantastico que tenho medo que um dia ele pule tão alto que eu não possa mais vê-lo.. e então ele pule tão alto que não volte mais..
então eu terei perdido este garoto.. que eu só odeio por que temo que ele voe mais alto do que meu amor pode alcançar...

ah, se eu conseguisse olhar nos olhos dele e dizer isso

ele entenderia?
estaria tudo resolvido?

ele me levaria com ele?
me deixaria?

ou seria sempre o mesmo garoto que amo e tenho medo de perder?



quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A magnífica menina que podia mudar o mundo

     Era uma vez uma garota predestinada a salvar o mundo. Nas mãos dela repousava o poder divino de transformar vidas, nas suas sardinhas moravam os mistérios desvendados do universo, na sua língua vivia a sabedoria de mil sábios e nos seus cabelos morava a noite escura e toda sua majestosidade.
    Só que a menina não sabia que podia mudar o mundo, então foi tomar banho, por que a tarde estava quente...
(Desenho da Kate Moss feito em 2008, 
em uma máquina de escrever.
 Artista: Keira Rathbone )



Este é um poema sobre

Sobre os medos que te mostrei
sobre as mãos por debaixo da carne
sobre o sangue que virava concreto
sobre a alma se esvaindo

A fragilidade me esperava no canto,
sorrindo e preocupada comigo,
A tristeza observava na esquina
mandava beijos e me mandava embora,

A angustia, esta virou amante
me beija a boca
com sua enorme boca
me agarra pelos cabelos
e me chama de ingrata

Sobre aqueles que foram embora
e sobre aqueles que se tornaram amante
só digo uma coisa:
que não digo mais nada.