quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Fantasmas

Sentiu na tua mão,
esta minha mão?
Sentiu no teu peito,
este meu calor?
É fogo, é dor,
meus demônios
vão te trazer pra casa;
Tao ruim estar contigo
e falar sozinha...



(Phantom of the Opera)

Números


Numero 1
Antes mesmo dos tempos remotos e até depois da eternidade
Havia ela
Na janela
E só ela

Numero 2
Deixei-me
Largada atrás da porta,
Querendo ver
O que fariam de mim.

Numero 3
Entre o certo e o errado,
Aqui me tenho perdida,
Descanso nos mesmos braços
Da própria alma abatida;
Entre tinta e realidade,
Pintei o rosto de azul,
Hoje sonho acordada
Com o sonho que minha alma não viu.

Eterno

Eterno

Quando tenho,
tenho; 
é meu, de mais ninguém

Quando quero,
pego;
se posso, irei

Quando amo,
amo;
eterno, será?

Tenho até que
não quero mais
e deixo de amar.


Críticas. vulgo minha parte preferida (poemas)


Por que as pessoas têm tanto direito de errar quanto eu tenho de julgá-las por isso.




Laranja fluorescente

O fogo subiu as escadas,
Esticou as mãozinhas ao céu,
Crescendo como criança
Que só cresce por que alguém vê;

Depois começou a sumir
E com ele levou a esperança
Dos que ainda não puderam nascer.

Pessoas

Somos formigas correndo
Nas calçadas lotadas
E cheias de nada;

Carregamos as folhas
E pequenos desenhos,
Sendo pisadas;

Corajosas formigas
Pelos pés massacradas.

Do meu tempo

Era uma vez
Os emos versus a coloridade,
Um provando pro outro
Qual dá mais publicidade.

Quem? Eu? Eu não!

Não sabe-se que vi,
Ora pois, não vi!
Se achas que desacato é teu rosto
Experimente o espelho da alma
E verá
- tão terrível quanto possível –
Um completo estranho
Pior do que se imaginou.

Guerra

As guerras estão perdidas,
A morte drena a inocência,
Sobreviventes são as vitimas
Dessa tamanha incompetência.


Soneto para um
(sim, eu sei que sonetos são para só uma pessoa)

Já vaguei por muitas estradas
Sem me mover uma quadra,
Já olhei para muitos rostos
Quando meus olhos não vêem nada;

Sou uma das que não respira
Continuamente entre vida e morte,
Longe de qualquer inferno
Sem noticias do paraíso;

Entre mortos e vivos
Há um coração que bate.

Descanso

Deita no meu ombro
E escuta este respirar
- é Baltazar-
Cada respiração mais perto
Mais perto de te levar.

Sociedade decadente

Acha que são felizes?
Ande pelas ruas e me diga quem é feliz;

Parecemos animais assustados
E grudados na TV;

Ouvimos zumbis afiados
Falando de uma felicidade perdida;

Verá as massas de gente
E suas lojas de departamento;

Subimos e descemos as escadas
Feito robôs enferrujados;

Ninguém conhece ninguém,
Não sabemos o que é viver;

Acham que a felicidade está ao alcance,
Mas não é possível se dizer.




Nuclear

As crianças não se importam
- são as únicas a não se importar? –
Me ensina a desmontar
Uma arma nuclear;

Por que ir contra a onda?
Para que se arriscar?
Para que lutar por algo
Se souber que não vai ganhar?
É o governo, a sociedade,
São valores culturais,
Vou nadando contra a corrente
Aprendendo a desmontar uma bomba nuclear.

L’Historie de la revolucione?

Lutar não é o objetivo,
Pela luta chegamos
Ao lugar pelo qual lutamos:
Lugar nenhum;

Lutamos por nada,
Lutamos sem razão,
Lutamos sem motivo,
Uma luta em vão;

Uma guerra fria
Leva a vida dos que guerreiam
E a vida dos que estão no lar;

Chore pelos que lutaram,
Chore pelos que vão ficar,
Quando vamos lutar
Para a guerra terminar?

Fábrica de pessoas

Um anel de diamantes,
Desejos fúteis, não entendidos,
Fabricamos uma massa móvel
De zumbis incompreendidos;

A ética da certeza,
A incerteza de um bom mentiroso,
Somos todos bonecos movidos
Por um infinito meticuloso.


Goblins

A vida é um roubo
Tão fácil de enganar,
Todos reclamam de não ter amigos
Ninguém tenta consertar;

O governo impõe suas regras,
Revolução não é solução,
Como goblins é mais fácil enganar
Do que apenas tentar lutar.

Cicatrizes

Diga sim e diga não,
Nada muda,
Continuamos a chorar
Pelos corpos espalhados,
E eles ainda estão lá;

Não recolhemos nossos mortos,
Alimentamos as cicatrizes,
Destruímos o futuro
Do destino meretrizes.

Um dia...

Chega!
Estou cansado deste pensamento!
Movimentem seus corpos,
Pensem diferente,
Não sejam todos iguais;

Isso! Questionem-se!
Uma nova era se inicia hoje
- Pausa para olhar para o lado –
Certo, continuem andando.

Falsa liberdade

São tantas palavras sem nexo,
Tantos amores sem sentido,
Uma nação corrompida
Pela liberdade de expressão;

É tudo tão fácil,
Siga em frente e sorria para a câmera,
- combata a libertinagem? –
Governo vulgo manipulação.

Invasão

Peço que parem as armas,
Parem os tiros
E levem sua gente;

Peço que saiam com honra
Para outro dia morrer em paz
E que levem seus mortos;

Peco que parem a guerra,
Que vão embora
E me deixem em paz.

Mentira conveniente

Quando não ouço sua voz
Sinto o fim do mundo
Sem entender o que é dor;

Os amores desejados
São os amores proibidos,
A parte boa é o fim;

A mentira dos espelhos
É a recompensa dos retardados
Que acreditam na imagem
Refletida ao contrário;

Não somos quem pensamos ser,
Mentimos sem saber por que,
Traímos na ilusão
De que é volúvel o coração;

Queremos o que não temos,
Não entendemos o que falamos,
Confiamos em uma sociedade morta
E na sua redenção.

Filosofia do caminho

Caverna, luz, escuridão, cegueira,
Aqui está a mentira,
Lá está a verdade,
É passo a passo que se move a realidade,
É passo a passo que se lidera uma cidade,
É passo a passo que se erra,
Que se perde...
O que se passou?

Anarquismo

Em uma sala de aula
Ouve-se o grafite e o som de folhas,
Há os pensamentos
“Foda-se o sistema”
Eles diriam e ririam,
Se pudessem;

Eles queimariam as folhas,
A escola, os professores,
O uniforme e as regras
Se pudessem;

Eles recomeçariam
Uma sociedade do zero,
Cheios de planos
E grandes idéias;

Se pudessem fariam diferente,
Só pra no fim dar tudo no mesmo,
Seus filhos não entenderiam
Nem mesmo os filhos desses.

Motivos

Passamos a vida inteira
Esperando um motivo para viver,
Mas em vez de esperar um motivo
Devemos viver sem motivos,
Amar sem motivos,
Sorrir sem motivos,
Sonhar sem motivos
E nem precisa fazer sentido;

Talvez devêssemos
Parar de esperar motivos
E viver sem eles,
Talvez devêssemos
Querer viver sem motivo
Por que...
E lá importa o motivo?



Força

Deixem cair as armas,
as máscaras
e os chapéus de penas,
derrubem os mantos dourados
e a fachada de futilidade,
deixe as lagrimas escorrerem,
só não se permita cair
e se cair;
se permita levantar

Rosto

Mentiras
São tão verdadeiras nos teus lábios,
Fingidos orgasmos de felicidade
E olhos de vidro;

Lábios maciços,
Pernas traiçoeiras
Que fazem seus próprios caminhos;

Tu nada me entrega,
Nem ouse me amar,
Menino de madeira,
Sentimentos bem cuidados
Que eu não ousaria criar.

Preço da alegria

Cansada das cores
Eu ignoro o cenário
Preto e branco no cinza
Da rosa dos ventos;

Caminhos incertos,
Tristeza medida,
Infância perdida
Na dobra dos ventos;

Ignoro o grito dos mortos,
O uivo dos vivos,
O riso dos mudos
E o adeus dos perdidos;

Ignoro cado não faça sentido
E não se encaixe
Nos meus pedidos;

Pedaços roubado
Do meu corpo vegetal,
Não reajo, só aceito,
A fúria humana animal.

Somos quem podemos ser

Somos marionetes
Ouvindo as batidas do destino,
Meras peças de madeira,
Controlados,
Não por Deus,
Rei ou por demônios,
Mas pela platéia
Que aos berros bate palmas.

Homenagens


Uma história

De homenagem vivem os mortos
E de segredos sobrevivem os vivos
E de mistério se fez o mundo;

Conta uma história
Cheia de heróis
Que é preciso acreditar;

Senta do meu lado
E me conta uma história
Daquelas que ninguém sabe,
Daquelas esquisitas ou bem conhecidas,
As que ninguém acredita,
Pra mim ouvir tua voz;

O sol há muito partiu
Por detrás das montanhas,
Deixa eu ouvir tua voz
Dentro da tua história;

Conta de novo
Que eu quero ouvir tua voz,
Além do horizonte:
Conta de novo;

O dia nem amanheceu
E sinto falta da tua risada.

Para olhos cor-de-mel

Um último poema
Para encerrar o dia,
Foi uma ótima dança
Para não deixar dúvida;

Se teu amor foi algo
É um bom segredo
- não acontecerá –
Para guardar na memória.


Poemas de amor... ou quase isso


Todos tem um felizes para sempre
- Assutador! –
A história já é curta
E está próxima de acabar?


Batom para sapos

Todos os sapos
Esperam as princesas
Que beijam mil sapos por dia,
Tudo em vão
Na busca de um príncipe encantado,
- pobres princesas! –
Que fazem as princesas
Em busca da ilusão?
E pobres sapos!
Que fazem eles
Sendo o que são?

Riscos

Que vos apaixoneis,
Se vos interessais,
Mas eu não,
Espero atenta,
Escondida na sombra:
Amar é perigoso.

Um garoto

Ele me deixa:
Ouvir musica alta,
Vestir o que gosto,
Fazer o que quero;
Por que não o amo?

Ele sussurra:
Palavras de amor,
Desejos, seus medos
Até segredos de ventilador;
O que há para não se amar?

E quando ele diz
- e ele diz –
Quem me ama
- e sei que é real –
Por que não respondo:
Eu amo também?







O poema de adeus

Sinto tanto em dizer adeus,
Não tanto quanto você,
Apenas direi e irei embora:
ADEUS;

Não me deixe ir,
Não devo ficar sozinha,
Então eu vou embora:
ADEUS;

Pegue o que restou,
Não funciona deste jeito,
Devo ir embora:
ADEUS;

Ouço sua voz,
Perto e tão distante,
Já que é difícil dizer irei embora:
ADEUS;

Por que me deixas ir
Se tiver de ir,
Vou embora:
ADEUS;

Prolonguei minha despedida,
Vens me buscar
Ainda te espero:
ADEUS;

Não, não!
Espere!
Digo uma última vez:
ADEUS;

E não fui embora.

Amor mendigo

Por amar eu,
Por amares tu,
Amardes-vos,
Por amarem eles,
Por amar tanto
Se fez a miséria.



Morrer de amor
Entre todos os meios
Pelos quais se pode morrer
Quero perecer por amar demais,
De todos os exagero que já cometi
O maior foi a paixão
Pela qual morri.

O Homem-robô

O homem-robô
Tinha medo de humanos,
Um coração de lata
E milhares de anos;

O homem-robô
Não conhecia sentimentos,
Mas com ela passou
Seus melhores momentos;

Uma velha lataria
De circuitos estragados
Encontrou a alegria
- esteve ele apaixonado? –

E o homem-robô
Viverá milhares de anos,
Estará sempre sozinho
Os outros são apenas humanos.

Complicado

Amar demais causa insônia,
Dor-de-cabeça, coceira no pé,
Causa tanta desavença
Que é melhor nem tentar.

Anti-complicado

Acredite no impossível,
Vale apenas arriscar,
É comprovado e garantido
Não há riso em amar.







Não chore por mim

Querido, não chore,
Ao menos não por mim,
Só por te-lo amado
Sou feliz como jamais fui;

Acredito que tudo é,
Que as coisas são como são,
Tudo que preciso é de amor
O resto se ajeita depois.

Deixa-me chorar

Deixa que chore
Meu estúpido coração,
Seja pela tua ausência,
Seja pelo teu sofrer;

Deixa então que chore longe,
Triste por este adeu,
Mas deixa que chore baixo
Deixa que chore em vão.

Espião

Larguei a rosa
Na beira da janela aberta
E parti forasteiro
Do meu próprio lar,
Pior do que nunca te-la
Era perde-la.

O homem-robô II
(ou o homem sem sentimentos)

Eu sei que você me ama,
Apesar de tudo que eu disse
Eu sei que me ama
Por tudo que sei
E sei da eternidade do teu amor,
Tão qual o universo,
Sólido como você e eu,
Se sabe que me ama
Olhe para mim
De-me a chance de sentir,
Meu amor jaz aqui
Tão ilusório quanto eu.


Sobre o amor

Deixe paginas em branco
Para falar do amor,
Deixe que ele se defenda,
E ofende
A quem mais ousar amar;
Deixe que o amor seja livre,
Deixe que o amor se apaixone,
Deixe que sofra
A sua própria maldição.


Pós - amor

PÓS AMOR?? NÃO, NÃO FOI AMOR, FOI OUTRA COISA.


Desconhecer sorrisos

Todos sabem,
Nem foi segredo,
Mas não entendo:
Paixões passadas
Ficam lá mesmo?
Enterradas no tempo,
Congeladas por um pensamento,
Até ressurgir
Como nunca partidas.

Uma boa menina

Quando o mundo desaba
Você segue em frente,
Quando a sorte acaba,
Você não sente,
Quando o amor vai embora,
Aí sim: você chora.

Fiquei

Me deixou quebrada,
Me deixou caída,
Me deixou para trás;
Fiquei perdida,
Fiquei no nada,
mais alguém?

Mais um

Sempre abusou do jeito que a vida lhe deu,
Sempre sorriu como eu nunca gostei,
Nunca foi o que sempre sonhei,
Foi alguém
Que por um momento amei;

Olá, olá, a vida ficou difícil,
O jogo virou pra você,
Está na hora de se arrepender;

Seu brilho apagou,
Seu tempo acabou,
Se não for pedir demais
Está na hora de voltar atrás,
Deixar o tempo passar e perceber:
É só mais uma em um milhão.


Passado

Hoje lembrei de ti,
Por um segundo esqueci do resto,
E agora
- veja que engraçado –
Já te esqueci.

Apostas

Venha fazer parte, estranho;
É o meu jogo, vamos jogar,
Talvez eu ganhe o jogo
E talvez não saiba jogar;

Sentaste na minha mesa,
Pegou na minha mão,
E seu eu não souber as regras
Você continua na ilusão.


Clichê

Eu sei a história,
Conheço o final:
Você me troca por ela
Para fazer tudo igual.

Sozinha com um espelho

Me olho,
Sei quem sou,
Sem amor,
Sem gloria,
Não faço parte
Da sua história,
Sem carinho,
Só palavras
-inúteis memórias-
Não morri,
Não vive,
Nunca tive
O amor que perdi.




Viva a superação

Agora imagine
Uma onda a vagar no oceano,
Sinta
O vento em seus cabelos,
Pense
Em coisas felizes;

Ame
Sem esperar nada em troca,
Deseje
O mais puro sonho,
Faça
O que tiver de fazer
E viva
Como se fosse morrer;

Não perca
A esperança na vida,
Não siga
Uma caminho sem saída,
- não tema! –
O perigo é divertido,
Não deixe
De morrer de amor;

Respire
Fundo e calmamente,
Durma
Tempo o suficiente,
Coma
O que e quem quiser,
Invente
Um planeta melhor;

Agora esqueça
Tudo o que já aprendeu,
Agora deixe
Para trás você e eu;

Não dura o seu amor,
Nem o meu,
É tudo tão passageiro
quanto o vento em seus cabelos.




Segurança

Parece surreal, imprevisível,
Em meio a beijos e danças: os sorriso,
Noite ligeira,
Noite faceira,
Desordeira,
Estou bem;

Tive que ter
Por uma única noite,
Tive que ver,
Sem entender;

Onde eu estava?
Não me acho, não me lembro,
Alguém me reconhece?
Na tristeza me perdi.

Final feliz

Não valeu a pena
Todo o tempo que estivemos fingindo
E fugindo de um sentimento
Dizendo amar
E jamais se entregando
Longe demais de um final feliz.


Pedaços de mim
Estou tentando esquecer,
Juntar os pontos,
Carregar os meus pedaços
Pra fora daqui;

Tentando deixar o tempo,
Apagar esse momento,
Mas não sei se eu entendo
Que já parei de te amar;

Meu coração não sabe
Que minha mente tem razão:
Falta apagar o medo
De viver na solidão


Nome
Pedi que não fosse embora
mas, se queres saber...
Tinha de ser assim,
Seja como for
Vai te embora para longe,
Nem sinto mais,
Não guardo rancor,
Volta pra tua terra,
Pra tua gente,
Com teu jeito,
Eu navego por dois mil mares,
Pronta pra mais dez mil amores
E os tempos,
Tão ilusórios tempos,
Me deixam ser diferente,
Volte para teu povo
E eu volto para minhas ondas,
Até breve,
Au revoir,
Um breve adeus,
E deixa ser
Que eu me deixarei.


Não-revelados


Suicide de prénom

A fumaça tênue
Que envolve teu amor
Cega os mais atentos
E emudece o trovador;

A neblina sufocante
Que apaga o eterno abismo
Nos carrega até a beira
Nos liberta a dar um passo;

Ainda assim caminho,
Cegada pelo negro
Dos teus olhos julgadores,
Até o fim;

Lanço me ao universo,
Desconhecido,
Como derradeiro suicida que sou,
Há tempos morto de amor.

Novo anjo

Se tu tens sofrido
Como teus olhos entregam
Derrame a tristeza
Em gotas de sal;

Nega o sangue
Do amadurecido coração
Nas veias metálicas
De um corpo sem alma;

Você não é sombra
Do eu primordial,
Vagamente um reflexo
De uma interpretação severa;

Mãos de artista
Esculpiram teus cachos,
Desenharam teus lábios
E moldaram tua alma;

Reformado homem
Por que mudaste
Se tua eterna beleza
É tua chama da vida?

Vejo o reflexo azul
Sob cílios de vidro,
Teu corpo imóvel
Em pele de neve crua.

L’historie de la perfeccion

Sim, a perfeição existe
E ela me ignora em seus olhos opacos,
Sim, a perfeição me olha
No corpo de um anjo da aurora;

Beleza, amor platônico,
Enganado pelo criador,
Ele andou errado
Nas sombras do seu Senhor;

Lindo reflexo desnudo
Estudado por meros humanos
Que se afogaram em olhos azuis,
Sem compostura ou calcinha;

Sim, ele não se conhece,
Não sabe o que dele fizeram,
Quebraram seu molde de ouro
E por ele não esperaram;

Agora sozinho se perde
Na ingenuidade de seu olhar,
Amor platônico existe;
Um anjo é capaz de amar?

Um meteoro

Desenho seus olhos
Como gotas de mel
E eles se movem
Do papel ao céu;

Seu jeito me atinge,
Desconhecido senhor,
Teu mundo me aflige
Repleto de dor;

Não acredito em agora,
Não te quero jamais,
Teu rosto atormentado
Já não me satisfaz.



“Eu inventei a história, eu matei a bruxa, dê-me o sapatinho de volta!”



Ódio a platonicidade

A ultima vez que me vi
Escrevendo de amores platônicos
Eu não era tão mais jovem,
Tão mais ingênua do que sou;

A beleza é importante?
O coraçao é inconstante,
Morra o culpado
De nunca ter sido apaixonado;

Te culpo,
Quem mais culpar?
A mim jamais,
Tu tiraste minha paz.

Rosas do meu jardim

Rosas amargas,
Flores minhas
De espinhos que cortam,
Pétalas que rangem
-rangido-
Estralaram;

Desenhos no mármore
Que querem falar comigo,
Gritam por alguém
E gritam como bichos;

São minhas velhas rosas,
Sem compaixão,
Por que o que mais dói
É a saudade de amar.




Irrelevancia


Criança de ouro

“Você tem um dom. Já te disseram isso?”
Já, já sim, senhor,
Muitas vezes, senhor,
Mais não me vejo fazendo mais nada,
Além do que faço aqui.

Poema perdido

Deixa,
Não há importância,
Então deixa
O poeminha sem relevância,
Deixa quieto,
Deixa assim,
Deixa no ar
O poeminha aberto.

A criação

Tenho vontade de escrever um poema
Que não fale sobre nada
Nem sobre ninguém;

Quero escrever um poema
Sobre o assunto
Quem me convem;

Vontade de dize ao mundo
Através das palavras os meu senti;

Quero mostrar a todos
O que se passa bem aqui;

Vontade de escrever um poema
Sobre a vontade
De escrever um poema.

Uma falta de lucidez

Nuvem de algodão-doce,
Bom dia cachorros azuis,
E alô meu cogumelos,
Dançando na chuva os aliens observam
A nossa falta de lucidez.


Saudade

Hoje me debrucei na janela,
Abraçada a um velho sonho,
E chorei pelos prédios altos
E as pessoas que vivem lá,
Perdidas entre as caixas
No cantinho, amassadas,
Que não enxergam a terra
E não conhecem suas ruas
Pelas quais passei
A mil anos atrás,
Mas este é só mais um sonho
Que esqueci de enterrar.

Romance

Romance
É quando se deixa
O último e primeiro beijo
Pro final da história.

A menina que cruzava a rua

A menina cruzou a rua:
Como quem sela o próprio destino;

A menina cruzou a rua:
Como quem sabe demais da vida e da morte;

A menina cruzou a rua:
Como quem morre a cada passo;

A menina cruzou a rua:
Solitária como se vê;

A menina cruzou a rua:
E chegou do outro lado.

Era uma rua

Não muito escura
Nem iluminada,
Quase perdida,
Petrificada,
No infinito
De quase nada;

Prédio altas,
Está cercada!
A ruazinha de quase nada;

A rua, a ruazinha,
Pedaço esquecida no tempo,
Coitadinha,
Viveu tantas histórias!

Dorme, coitadinha,
Hoje é fantasma de nada,
Dorme, dorme, ruazinha,
E deixa que os outros se ergam
Monstrinhos ao seu redor,
Você tem
Sua própria história
A ser contada.


juntando palavras a esmo

Sabedoria rima com ironia,
Ventania com mania,
- que porcaria! –
De que me valhe sabedoria
Se não sei o que significa
Neurastenia?


Obediência

Cala-te cogumelo!
A menina cruza os braços
E busca o olhar de seu amigo cogumelos,
Cala-te cogumelo!
Repete ela,
Ele então obedece;

Desde então
Os cogumelos esperam
Até que a menina diga:
Ta bom, cogumelo,
Já pode falar!

Manias

Medo de bola de poeira,
Odeia páginas riscadas,
Chora ao ver um poodle
Se ele for pintado de rosa,
Não gosta de banhos de mar,
Não escuta música alta,
É uma vida tão regulada
Que a loucura quase se enquadra.

Poeta I

Não é preciso ser poema
Para saber amar,
Mas é preciso amar muito
Ou odiar mortal mortalmente
Para ser um bom poeta;

Poeta II

Certa vez conheci um poeta
Que não sabia mar,
Não odiava nada
E vivia uma boa vida:
Ele era um péssimo poeta.

Fevereiro de 2011

Como pensamos rápido,
Como evolui nosso pensar,
Como envelhecemos cedo
E perdemos a vontade de lutar.

Hospício

Do que se tem em...
Poemas?
Senhora, eu bem me lembro de poemas
E se me lembro
Que vagueiam
Nada
- nada, nada e nada -
Não senhora,
Nada existe
-dança-
Se me permite uma última ousadia, senhora,
Se junte a nós
Venha com os loucos
Venha dançar com os mortos

Medo

O medo nos guia
Quando o coração se fecha,
O medo nos guia
Quando não enfrentado,
O medo nos guia:
Estamos perdidos.

Ao meu amigo

Certo dia entrei em um antiquário
e falei com um secretário
que vem a ser meu adversário
e não importa este comentário
que bem foi desnecessário
neste itinerário
mas seguindo meu vocabulário
encontrei este homem solitário
de quem nunca fui solidário
mas uma certa compaixão surgiu, foi involuntário
naquele momento não brigamos, pelo contrário,
algo que até surpreendeu o proprietário
ou até o homem que lia, um velho operário
líamos pelo mesmo breviário
sem se importar com o glossário
não éramos tão contrários
ganhávamos até o mesmo salário
e não foi necessário
nem rezar meu rosário
ou dar pulinhos em um santuário
quando saímos do boticário
olha o comentário
nem anotei no meu diário
mas no mesmo dia caia nosso aniversário
viramos amigos, éramos ambos dois temerários

Destino

Deixa,
Se tiver de ser
Assim será;

Não envolva o destino
Nas suas reclamações;

Cada um tem o final
Que merece
Por suas próprias razões.

Medo de crescer

Medo, torna-me humano,
Humano, demasiado humano,
Torna-me real,
Entretanto misticamente surreal,
Explique minhas palavras,
As minhas letras que não entendo,
Não me obrigue a crescer,
Deixa-me ficar aqui,
Espanta os homens de jaleco branco,
Estou aqui, não estou?
Não sou louca,
Não quero ter sonhos de mulher,
Os sonhos da menina vão mais além,
Ela quer entrar em um mundo,
Um mundo colorido,
Um mundo de meninas,
Onde os desejos não possam lhe encontrar,
Eu sou frágil,
Forte mas destrutível,
Deixa-me levar sustos da vida,
Deixa eu calar a verdade,
Deixa-me enlouquecer.