quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Não-revelados


Suicide de prénom

A fumaça tênue
Que envolve teu amor
Cega os mais atentos
E emudece o trovador;

A neblina sufocante
Que apaga o eterno abismo
Nos carrega até a beira
Nos liberta a dar um passo;

Ainda assim caminho,
Cegada pelo negro
Dos teus olhos julgadores,
Até o fim;

Lanço me ao universo,
Desconhecido,
Como derradeiro suicida que sou,
Há tempos morto de amor.

Novo anjo

Se tu tens sofrido
Como teus olhos entregam
Derrame a tristeza
Em gotas de sal;

Nega o sangue
Do amadurecido coração
Nas veias metálicas
De um corpo sem alma;

Você não é sombra
Do eu primordial,
Vagamente um reflexo
De uma interpretação severa;

Mãos de artista
Esculpiram teus cachos,
Desenharam teus lábios
E moldaram tua alma;

Reformado homem
Por que mudaste
Se tua eterna beleza
É tua chama da vida?

Vejo o reflexo azul
Sob cílios de vidro,
Teu corpo imóvel
Em pele de neve crua.

L’historie de la perfeccion

Sim, a perfeição existe
E ela me ignora em seus olhos opacos,
Sim, a perfeição me olha
No corpo de um anjo da aurora;

Beleza, amor platônico,
Enganado pelo criador,
Ele andou errado
Nas sombras do seu Senhor;

Lindo reflexo desnudo
Estudado por meros humanos
Que se afogaram em olhos azuis,
Sem compostura ou calcinha;

Sim, ele não se conhece,
Não sabe o que dele fizeram,
Quebraram seu molde de ouro
E por ele não esperaram;

Agora sozinho se perde
Na ingenuidade de seu olhar,
Amor platônico existe;
Um anjo é capaz de amar?

Um meteoro

Desenho seus olhos
Como gotas de mel
E eles se movem
Do papel ao céu;

Seu jeito me atinge,
Desconhecido senhor,
Teu mundo me aflige
Repleto de dor;

Não acredito em agora,
Não te quero jamais,
Teu rosto atormentado
Já não me satisfaz.



“Eu inventei a história, eu matei a bruxa, dê-me o sapatinho de volta!”



Ódio a platonicidade

A ultima vez que me vi
Escrevendo de amores platônicos
Eu não era tão mais jovem,
Tão mais ingênua do que sou;

A beleza é importante?
O coraçao é inconstante,
Morra o culpado
De nunca ter sido apaixonado;

Te culpo,
Quem mais culpar?
A mim jamais,
Tu tiraste minha paz.

Rosas do meu jardim

Rosas amargas,
Flores minhas
De espinhos que cortam,
Pétalas que rangem
-rangido-
Estralaram;

Desenhos no mármore
Que querem falar comigo,
Gritam por alguém
E gritam como bichos;

São minhas velhas rosas,
Sem compaixão,
Por que o que mais dói
É a saudade de amar.




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