Suicide de prénom
A fumaça tênue
Que envolve teu amor
Cega os mais atentos
E emudece o trovador;
A neblina sufocante
Que apaga o eterno
abismo
Nos carrega até a
beira
Nos liberta a dar um
passo;
Ainda assim caminho,
Cegada pelo negro
Dos teus olhos
julgadores,
Até o fim;
Lanço me ao universo,
Desconhecido,
Como derradeiro
suicida que sou,
Há tempos morto de
amor.
Novo anjo
Se tu tens sofrido
Como teus olhos
entregam
Derrame a tristeza
Em gotas de sal;
Nega o sangue
Do amadurecido
coração
Nas veias metálicas
De um corpo sem alma;
Você não é sombra
Do eu primordial,
Vagamente um reflexo
De uma interpretação
severa;
Mãos de artista
Esculpiram teus
cachos,
Desenharam teus
lábios
E moldaram tua alma;
Reformado homem
Por que mudaste
Se tua eterna beleza
É tua chama da vida?
Vejo o reflexo azul
Sob cílios de vidro,
Teu corpo imóvel
Em pele de neve crua.
L’historie de la perfeccion
Sim, a perfeição
existe
E ela me ignora em
seus olhos opacos,
Sim, a perfeição me
olha
No corpo de um anjo
da aurora;
Beleza, amor
platônico,
Enganado pelo
criador,
Ele andou errado
Nas sombras do seu
Senhor;
Lindo reflexo desnudo
Estudado por meros
humanos
Que se afogaram em
olhos azuis,
Sem compostura ou
calcinha;
Sim, ele não se
conhece,
Não sabe o que dele
fizeram,
Quebraram seu molde
de ouro
E por ele não
esperaram;
Agora sozinho se
perde
Na ingenuidade de seu
olhar,
Amor platônico existe;
Um anjo é capaz de
amar?
Um meteoro
Desenho seus olhos
Como gotas de mel
E eles se movem
Do papel ao céu;
Seu jeito me atinge,
Desconhecido senhor,
Teu mundo me aflige
Repleto de dor;
Não acredito em
agora,
Não te quero jamais,
Teu rosto atormentado
Já não me satisfaz.
“Eu inventei a
história, eu matei a bruxa, dê-me o sapatinho de volta!”
Ódio a
platonicidade
A ultima vez que me
vi
Escrevendo de amores
platônicos
Eu não era tão mais
jovem,
Tão mais ingênua do
que sou;
A beleza é
importante?
O coraçao é
inconstante,
Morra o culpado
De nunca ter sido
apaixonado;
Te culpo,
Quem mais culpar?
A mim jamais,
Tu tiraste minha paz.
Rosas do meu jardim
Rosas do meu jardim
Rosas
amargas,
Flores minhas
De espinhos que cortam,
Pétalas que rangem
-rangido-
Estralaram;
Flores minhas
De espinhos que cortam,
Pétalas que rangem
-rangido-
Estralaram;
Desenhos no mármore
Que querem falar comigo,
Gritam por alguém
E gritam como bichos;
São minhas velhas rosas,
Sem compaixão,
Por que o que mais dói
É a saudade de amar.
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