quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Críticas. vulgo minha parte preferida (poemas)


Por que as pessoas têm tanto direito de errar quanto eu tenho de julgá-las por isso.




Laranja fluorescente

O fogo subiu as escadas,
Esticou as mãozinhas ao céu,
Crescendo como criança
Que só cresce por que alguém vê;

Depois começou a sumir
E com ele levou a esperança
Dos que ainda não puderam nascer.

Pessoas

Somos formigas correndo
Nas calçadas lotadas
E cheias de nada;

Carregamos as folhas
E pequenos desenhos,
Sendo pisadas;

Corajosas formigas
Pelos pés massacradas.

Do meu tempo

Era uma vez
Os emos versus a coloridade,
Um provando pro outro
Qual dá mais publicidade.

Quem? Eu? Eu não!

Não sabe-se que vi,
Ora pois, não vi!
Se achas que desacato é teu rosto
Experimente o espelho da alma
E verá
- tão terrível quanto possível –
Um completo estranho
Pior do que se imaginou.

Guerra

As guerras estão perdidas,
A morte drena a inocência,
Sobreviventes são as vitimas
Dessa tamanha incompetência.


Soneto para um
(sim, eu sei que sonetos são para só uma pessoa)

Já vaguei por muitas estradas
Sem me mover uma quadra,
Já olhei para muitos rostos
Quando meus olhos não vêem nada;

Sou uma das que não respira
Continuamente entre vida e morte,
Longe de qualquer inferno
Sem noticias do paraíso;

Entre mortos e vivos
Há um coração que bate.

Descanso

Deita no meu ombro
E escuta este respirar
- é Baltazar-
Cada respiração mais perto
Mais perto de te levar.

Sociedade decadente

Acha que são felizes?
Ande pelas ruas e me diga quem é feliz;

Parecemos animais assustados
E grudados na TV;

Ouvimos zumbis afiados
Falando de uma felicidade perdida;

Verá as massas de gente
E suas lojas de departamento;

Subimos e descemos as escadas
Feito robôs enferrujados;

Ninguém conhece ninguém,
Não sabemos o que é viver;

Acham que a felicidade está ao alcance,
Mas não é possível se dizer.




Nuclear

As crianças não se importam
- são as únicas a não se importar? –
Me ensina a desmontar
Uma arma nuclear;

Por que ir contra a onda?
Para que se arriscar?
Para que lutar por algo
Se souber que não vai ganhar?
É o governo, a sociedade,
São valores culturais,
Vou nadando contra a corrente
Aprendendo a desmontar uma bomba nuclear.

L’Historie de la revolucione?

Lutar não é o objetivo,
Pela luta chegamos
Ao lugar pelo qual lutamos:
Lugar nenhum;

Lutamos por nada,
Lutamos sem razão,
Lutamos sem motivo,
Uma luta em vão;

Uma guerra fria
Leva a vida dos que guerreiam
E a vida dos que estão no lar;

Chore pelos que lutaram,
Chore pelos que vão ficar,
Quando vamos lutar
Para a guerra terminar?

Fábrica de pessoas

Um anel de diamantes,
Desejos fúteis, não entendidos,
Fabricamos uma massa móvel
De zumbis incompreendidos;

A ética da certeza,
A incerteza de um bom mentiroso,
Somos todos bonecos movidos
Por um infinito meticuloso.


Goblins

A vida é um roubo
Tão fácil de enganar,
Todos reclamam de não ter amigos
Ninguém tenta consertar;

O governo impõe suas regras,
Revolução não é solução,
Como goblins é mais fácil enganar
Do que apenas tentar lutar.

Cicatrizes

Diga sim e diga não,
Nada muda,
Continuamos a chorar
Pelos corpos espalhados,
E eles ainda estão lá;

Não recolhemos nossos mortos,
Alimentamos as cicatrizes,
Destruímos o futuro
Do destino meretrizes.

Um dia...

Chega!
Estou cansado deste pensamento!
Movimentem seus corpos,
Pensem diferente,
Não sejam todos iguais;

Isso! Questionem-se!
Uma nova era se inicia hoje
- Pausa para olhar para o lado –
Certo, continuem andando.

Falsa liberdade

São tantas palavras sem nexo,
Tantos amores sem sentido,
Uma nação corrompida
Pela liberdade de expressão;

É tudo tão fácil,
Siga em frente e sorria para a câmera,
- combata a libertinagem? –
Governo vulgo manipulação.

Invasão

Peço que parem as armas,
Parem os tiros
E levem sua gente;

Peço que saiam com honra
Para outro dia morrer em paz
E que levem seus mortos;

Peco que parem a guerra,
Que vão embora
E me deixem em paz.

Mentira conveniente

Quando não ouço sua voz
Sinto o fim do mundo
Sem entender o que é dor;

Os amores desejados
São os amores proibidos,
A parte boa é o fim;

A mentira dos espelhos
É a recompensa dos retardados
Que acreditam na imagem
Refletida ao contrário;

Não somos quem pensamos ser,
Mentimos sem saber por que,
Traímos na ilusão
De que é volúvel o coração;

Queremos o que não temos,
Não entendemos o que falamos,
Confiamos em uma sociedade morta
E na sua redenção.

Filosofia do caminho

Caverna, luz, escuridão, cegueira,
Aqui está a mentira,
Lá está a verdade,
É passo a passo que se move a realidade,
É passo a passo que se lidera uma cidade,
É passo a passo que se erra,
Que se perde...
O que se passou?

Anarquismo

Em uma sala de aula
Ouve-se o grafite e o som de folhas,
Há os pensamentos
“Foda-se o sistema”
Eles diriam e ririam,
Se pudessem;

Eles queimariam as folhas,
A escola, os professores,
O uniforme e as regras
Se pudessem;

Eles recomeçariam
Uma sociedade do zero,
Cheios de planos
E grandes idéias;

Se pudessem fariam diferente,
Só pra no fim dar tudo no mesmo,
Seus filhos não entenderiam
Nem mesmo os filhos desses.

Motivos

Passamos a vida inteira
Esperando um motivo para viver,
Mas em vez de esperar um motivo
Devemos viver sem motivos,
Amar sem motivos,
Sorrir sem motivos,
Sonhar sem motivos
E nem precisa fazer sentido;

Talvez devêssemos
Parar de esperar motivos
E viver sem eles,
Talvez devêssemos
Querer viver sem motivo
Por que...
E lá importa o motivo?



Força

Deixem cair as armas,
as máscaras
e os chapéus de penas,
derrubem os mantos dourados
e a fachada de futilidade,
deixe as lagrimas escorrerem,
só não se permita cair
e se cair;
se permita levantar

Rosto

Mentiras
São tão verdadeiras nos teus lábios,
Fingidos orgasmos de felicidade
E olhos de vidro;

Lábios maciços,
Pernas traiçoeiras
Que fazem seus próprios caminhos;

Tu nada me entrega,
Nem ouse me amar,
Menino de madeira,
Sentimentos bem cuidados
Que eu não ousaria criar.

Preço da alegria

Cansada das cores
Eu ignoro o cenário
Preto e branco no cinza
Da rosa dos ventos;

Caminhos incertos,
Tristeza medida,
Infância perdida
Na dobra dos ventos;

Ignoro o grito dos mortos,
O uivo dos vivos,
O riso dos mudos
E o adeus dos perdidos;

Ignoro cado não faça sentido
E não se encaixe
Nos meus pedidos;

Pedaços roubado
Do meu corpo vegetal,
Não reajo, só aceito,
A fúria humana animal.

Somos quem podemos ser

Somos marionetes
Ouvindo as batidas do destino,
Meras peças de madeira,
Controlados,
Não por Deus,
Rei ou por demônios,
Mas pela platéia
Que aos berros bate palmas.

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