quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Irrelevancia


Criança de ouro

“Você tem um dom. Já te disseram isso?”
Já, já sim, senhor,
Muitas vezes, senhor,
Mais não me vejo fazendo mais nada,
Além do que faço aqui.

Poema perdido

Deixa,
Não há importância,
Então deixa
O poeminha sem relevância,
Deixa quieto,
Deixa assim,
Deixa no ar
O poeminha aberto.

A criação

Tenho vontade de escrever um poema
Que não fale sobre nada
Nem sobre ninguém;

Quero escrever um poema
Sobre o assunto
Quem me convem;

Vontade de dize ao mundo
Através das palavras os meu senti;

Quero mostrar a todos
O que se passa bem aqui;

Vontade de escrever um poema
Sobre a vontade
De escrever um poema.

Uma falta de lucidez

Nuvem de algodão-doce,
Bom dia cachorros azuis,
E alô meu cogumelos,
Dançando na chuva os aliens observam
A nossa falta de lucidez.


Saudade

Hoje me debrucei na janela,
Abraçada a um velho sonho,
E chorei pelos prédios altos
E as pessoas que vivem lá,
Perdidas entre as caixas
No cantinho, amassadas,
Que não enxergam a terra
E não conhecem suas ruas
Pelas quais passei
A mil anos atrás,
Mas este é só mais um sonho
Que esqueci de enterrar.

Romance

Romance
É quando se deixa
O último e primeiro beijo
Pro final da história.

A menina que cruzava a rua

A menina cruzou a rua:
Como quem sela o próprio destino;

A menina cruzou a rua:
Como quem sabe demais da vida e da morte;

A menina cruzou a rua:
Como quem morre a cada passo;

A menina cruzou a rua:
Solitária como se vê;

A menina cruzou a rua:
E chegou do outro lado.

Era uma rua

Não muito escura
Nem iluminada,
Quase perdida,
Petrificada,
No infinito
De quase nada;

Prédio altas,
Está cercada!
A ruazinha de quase nada;

A rua, a ruazinha,
Pedaço esquecida no tempo,
Coitadinha,
Viveu tantas histórias!

Dorme, coitadinha,
Hoje é fantasma de nada,
Dorme, dorme, ruazinha,
E deixa que os outros se ergam
Monstrinhos ao seu redor,
Você tem
Sua própria história
A ser contada.


juntando palavras a esmo

Sabedoria rima com ironia,
Ventania com mania,
- que porcaria! –
De que me valhe sabedoria
Se não sei o que significa
Neurastenia?


Obediência

Cala-te cogumelo!
A menina cruza os braços
E busca o olhar de seu amigo cogumelos,
Cala-te cogumelo!
Repete ela,
Ele então obedece;

Desde então
Os cogumelos esperam
Até que a menina diga:
Ta bom, cogumelo,
Já pode falar!

Manias

Medo de bola de poeira,
Odeia páginas riscadas,
Chora ao ver um poodle
Se ele for pintado de rosa,
Não gosta de banhos de mar,
Não escuta música alta,
É uma vida tão regulada
Que a loucura quase se enquadra.

Poeta I

Não é preciso ser poema
Para saber amar,
Mas é preciso amar muito
Ou odiar mortal mortalmente
Para ser um bom poeta;

Poeta II

Certa vez conheci um poeta
Que não sabia mar,
Não odiava nada
E vivia uma boa vida:
Ele era um péssimo poeta.

Fevereiro de 2011

Como pensamos rápido,
Como evolui nosso pensar,
Como envelhecemos cedo
E perdemos a vontade de lutar.

Hospício

Do que se tem em...
Poemas?
Senhora, eu bem me lembro de poemas
E se me lembro
Que vagueiam
Nada
- nada, nada e nada -
Não senhora,
Nada existe
-dança-
Se me permite uma última ousadia, senhora,
Se junte a nós
Venha com os loucos
Venha dançar com os mortos

Medo

O medo nos guia
Quando o coração se fecha,
O medo nos guia
Quando não enfrentado,
O medo nos guia:
Estamos perdidos.

Ao meu amigo

Certo dia entrei em um antiquário
e falei com um secretário
que vem a ser meu adversário
e não importa este comentário
que bem foi desnecessário
neste itinerário
mas seguindo meu vocabulário
encontrei este homem solitário
de quem nunca fui solidário
mas uma certa compaixão surgiu, foi involuntário
naquele momento não brigamos, pelo contrário,
algo que até surpreendeu o proprietário
ou até o homem que lia, um velho operário
líamos pelo mesmo breviário
sem se importar com o glossário
não éramos tão contrários
ganhávamos até o mesmo salário
e não foi necessário
nem rezar meu rosário
ou dar pulinhos em um santuário
quando saímos do boticário
olha o comentário
nem anotei no meu diário
mas no mesmo dia caia nosso aniversário
viramos amigos, éramos ambos dois temerários

Destino

Deixa,
Se tiver de ser
Assim será;

Não envolva o destino
Nas suas reclamações;

Cada um tem o final
Que merece
Por suas próprias razões.

Medo de crescer

Medo, torna-me humano,
Humano, demasiado humano,
Torna-me real,
Entretanto misticamente surreal,
Explique minhas palavras,
As minhas letras que não entendo,
Não me obrigue a crescer,
Deixa-me ficar aqui,
Espanta os homens de jaleco branco,
Estou aqui, não estou?
Não sou louca,
Não quero ter sonhos de mulher,
Os sonhos da menina vão mais além,
Ela quer entrar em um mundo,
Um mundo colorido,
Um mundo de meninas,
Onde os desejos não possam lhe encontrar,
Eu sou frágil,
Forte mas destrutível,
Deixa-me levar sustos da vida,
Deixa eu calar a verdade,
Deixa-me enlouquecer.

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