quarta-feira, 27 de março de 2013

Bons amigos


A solidão era uma estranha a acompanhá-lo nos dias atuais, ainda se familiarizavam cada qual ao olhar od outro. Ela o emaranhava entre suas coxas ao anoitecer e estava sempre pressionando-lhe o peito pelas manhas. Mesmo quando saiam e mergulhavam na eternidade da noite, não separavam-se. Nem por um segundo. Ela mordiscava-lhe a orelha em meio a multidões para lembrá-lo de sua presença. Ela acompanhava-o, para que ele nunca esquecesse que estava só.
Compartilhavam a cama, o chuveiro, a comida e o sofá. Quando o telefone tocava, ela corria par o seu colo e deixava seu peso sufocá-lo. Quando mais ele tentava afastá-la, mais íntimos ficavam. Tão íntimos que ele deu-lhe um nome. Chamou-a de Saudade. Não havia passada pelo corredor em que ele não beijasse o pescoço de Saudade. Convidava-a para ver filmes estrangeiros, comer pipoca barata, planejar viagens impossíveis, dormir de conchinha. 
Ele passou a leva-la para jantar fora. Apresentou Saudade aos seus conhecidos. Ela, por fim, cansou. Acabou por mudar-se. Não foi para longe, morava a algumas quadras dali. As vezes surgia na madrugada, de surpresa. Ele então a convocava para posar em seus poemas e servia-lhe amores de infancia.

Seus amigos é que não compreendiam por que ele não mandava Saudade embora, 


mas na verdade ele até apreciava beijar-lhe a nuca e trocar silêncios, 
de tempos em tempos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário