domingo, 14 de abril de 2013

Entre a fera e o genio

Ela era uma pessoa complicada, admitia isso, mas os outros não percebiam. Quem quase percebesse, era empurrado para longe. Por isso, ela surpreendeu a si mesma ao se ver, na maior sinceridade, deixando-se ver. Ele ouviu atentamente, as manias, vicios, medos, lamentaçoes. Parecia se importar, mas ela mantinha um pé atras. Estava, morbidamente, contente. Satisfazia-se com as conversas entre os dois,  a simples presença dele já era boa o suficiente. 
Ele parecia um tipo de pessoa por quem vale a pena se arriscar. O verdadeiro lutador, sempre entre a fera e o gênio. Os dois lados eram fantásticos. Ela não podia decidir. 
Tinham um relacionamento estranho, admitia-se. Conversavam sobre coisas da qual não falamos nem a nós mesmos. Era um vício ouvi-lo. Não gostava de afastar-se dele. Sentia-se como uma aluna, aprendendo a falar o que haviam dito que ela calasse.
Ele instigava-a, muitas vezes, a iniciar uma revolução dentro da sua mente. 
E por vezes, barrava-a dentro dos limites de uma moral própria.
 Os medos dos dois eram diferentes. 
Ela sentia-se imensamente grata pela existencia do rapaz, mas não conseguia achar meios de retribuir.
Ele dizia o mesmo sobre ela.
E continuavam assim, duvidando, questionando, arriscando... Não eram pessoas normais. Oscilariam muito ainda. Faltava a eles uma confiança admitida. Tinham muitas coisas a serem discutidas, perguntas. Nem sempre se compreendiam, embora compreendessem o mais dificil de compreender. Compreende?
E ficavam assim
Trocando idéias
selvagens
e brilhantes
Dia-a-dia entre a fera e o gênio. Conviveriam.
Existia muito a ser dito.

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