Sua própria mente debochava dela. O que fazia ali? Por que passava por tanta dor e sofrimento? As formas ao longe não se moveram, mas uma luz piscou atras delas, revelando mãos erguendo facões. A menina continuou correndo pelo labirinto, para longe das formas e dos barulhos. Uma porta era visível atras de um enorme armário. Com muita dificuldade ela encontrou uma maneira de empurra-la o suficiente para abrir a porta. Do outro lado, um jovem encarava-a com olhos aflitos.
Cristine colocou as mãos sobre os lábios para não gritar. O garoto afastou-se o maximo que pode dela, em estado de choque.
- Calma. - ela sussurrou - Vamos sair daqui juntos.
Estendeu a mão para ele, que segurou tremendo. Ela guiou-o cegamente por entre facas penduradas e manequins mascarados.
- Alex - ele balbuciou, quase chorando - Meu nome é Alex.
Cristine não conseguia determinar a idade dele. Parecia mais velho do que ela, mas naquele ambiente... quem saberia dizer?
- A janela.
Ele apontou na direção contrária que ela o guiava.
- Não sabemos em que andar estamos, Alex.
A esperança foi trocada naquele aperto de mão, enquanto atravessavam a sala correndo. Mãos enormes conseguiram alcançar a garota antes que ela percebesse que era só uma luva. Empurrou os diversos objetos pontiagudos que caíram sobre ela. Teve de arrancar uma faca que agarrou-se a sua coxa.
Uma cabeça humana caiu entre os dois e Alex a chutou com uma expressão de nojo. Cristine segurou a vontade de vomitar pela quarta vez naquela noite.
A luz da janela tornou-se visível a medida que eles corriam pelo corredor. A garota prendeu o pé em alguma coisa e teve dificuldade de movimentar-se descalça sobre a pilha de orgãos (provavelmente humanos) que se aglomeravam ao seus pés.
A música aumentou e ficou mais lenta a medida que alcançavam a janela. Ela esticou a mão em direção ao trinco e uma lamina decepou sua mão. Urrando de dor, ela caiu nos braços de Alex. Ele arrancou o fio que estava preso ao trinco usando um objeto (um osso talvez) que juntou no chão. Empurrou a janela com o pé.
A neblina subia até eles. O ar frio entrava e acariciava-os.
A serra elétrica aproximou-se. Alex enlaçou a cintura de Cristine e pulou da janela. Usou seu próprio corpo para amortecer a queda dela. Ele tinha razão, a altura não era muita, mas o suficiente para dificultar que eles fugissem antes que fossem perseguidos. Ajudaram-se a levantar e correram para dentro da mata.
Longe do labirinto, na beira da estrada, imploravam por ajuda. Ao longe, ouviram um motor. Aproximava-se um caminhão com uma velocidade alarmante. Correram para mais perto da faixa.
Alex empurrou-a.
Na frente do caminhão.
O corpo explodiu.
Em vários pedaços.
E ele sumiu
dentro da mata.

Ao ler me encontrava junto na cena, correndo entre a escuridão, chegava a ouvir os gritos estridentes ecoarem por minha cabeça. Minha consciência se misturava as palavras. Ao fim um alivio por ser apenas minha imaginação.
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