segunda-feira, 1 de abril de 2013

Morte em tres poemas


Marcha da sepultura
A marcha começa cedo,
Antes do sol, antes dos corvos,
As arvores correm seus braços
Pelos caminhos que todos percorrem,
Silenciosamente, rezam baixinho;
E conforme surgem paisagens,
De concreto, de flores mortas,
As sepulturas se erguem
Chorando por quem da marcha há de ficar


.

Quando eu partir
Quando eu partir
Lembrem do meu sorriso,
Não dos meus olhos fechados
A encarar o vazio
Da minha mente já adormecida;
Quando eu partir
Abandonando minhas coisas de vivo,
Não se preocupem com herança,
Não pretendo levar nada
para alem daqui;
Quando eu partir,
Em direção a um nada esquisito,
Lembrem dos lugares
Que fomos juntos,
Que fui sozinha,
E se deixem levar;
Quando eu partir,
Cuidem bem dos meus amigos
Que secaram minhas lágrimas,
Que compartilharam meu riso
E seguraram minhas mãos;
Quando eu partir
Não quero flores,
Não condenem as cores
De tantas belas flores
À uma cova silenciosa;
Quando eu partir
Não quero musica,
Quero só o murmúrio
Dos meus bons amigos
A lembrar de mim;
Quando eu partir
Não quero lágrimas,
Quero que todos se vistam
Como no carnaval,
Quero ter sorrisos
Rodeando-me
No ultimo dia encima do chão;
Quando eu partir,
Deixem-me dormir,
Sem perder seus sonos,
Quem partiu fui eu,
Chegou a minha hora de alimentar flores.



Seduzida pela morte
Tomamos banho de lua
Logo atrás dos muros de musgos
Observando as flores contar
Quais eram os segredos dos mortos;
Ouvi as historias antigas
De quando ainda eram piratas,
Princesas, mendigos e padres,
De quando respiravam encima da terra;
Na companhia de um desconhecido
Fiquei a observar os mortos
Perguntando-me em que dia
Eles seriam todos esquecidos
E seus restos virariam poeira;
Cercada de névoa de morte,
Observei o sorriso das arvores,
Oferecendo-me nas suas raízes o conforto
De não me preocupar com este mundo de vivos.



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