Ele percebeu o súbito interesse da multidão. Intercalou sorrisos e longos olhares enquanto desfilava suas idéias pelo recinto. Da aceitação a revolta, diversos sentimentos tomaram o lugar. Ao fim do discurso, virou-se para si mesmo, sem prestar atenção na reação das pessoas. Estas pouco importavam. Sua missão era apenas dizer o que precisava ser dito, não estava ali para converter ninguém a sua filosofia de vida.
A atmosfera ao seu redor, portanto, pesou.
A garota ao seu lado tomou as dores da revolta que iniciava-se. Em descontentamento, alguns se opunham ao raciocínio apresentado. Nervosa, ela ergueu a voz. Não sabia o que falava, mas teve de falar alto e com convicção até que o último murmurio cedeu a sua voz.
Como alguem ousaria questioná-lo? Quem estes malditos insetos achavam que eram para negar a palavra de alguém tão sabio?
Eles que queimassem no inferno das próprias convicções, sem ter coragem de pensar sobre o que o rapaz havia exposto. O discurso abriu uma caixa que não deveria ter sido aberta diante tamanha estupidez.
A raiva curvou os lábios da garota, um opacidade de ódio ardente queimou seus olhos, cada músculo do seu corpo contraiu-se.
Seu pequeno acesso de raiva não passaria despercebido por ele. Ela tambem não se importava. Gostava da presença dele e das suas opiniões. Que assim fosse, se tivesse de ser. Ela não negaria os fatos:
Sabia que, a partir daquele momento, ela teria de falar a verdade...
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