Os cenários, todos, eram lindos. Montados para um típico romance de Hollywood. As escadarias certas, as sombras, os parques, as cafeterias e ruas lotadas. Ela conseguia enxergar toda a encanação que pudesse usar a seu favor. Ele percorria os mesmos caminhos que ela, ingenuinamente. Quando ela marcava um lugar, um alvo perfeito, ele já havia sugerido o mesmo lugar. Sem controle algum, ela ficou vagando no espaço ao lado dele.
Munida de toda a coragem que encontrou e nem sabia que tinha, ela escorou seu ombro no dele. No inicio, ele nem parecia ter percebido. Ele não sabia quão grande era esse esforço para ela, por um segundo encostar em alguém por que queria e não por que a situação que ela montou exigia isso.
As palavras não saiam direito, não tinha mais cenários, roteiros e holofotes. Ela margiava o canto do palco, sendo obrigada a ser alguém de verdade na própria peça. Sua personagem ficou jogada ao seus pés enquanto ela foi jogada em cena. "O que eu digo agora?"
E não disse nada. Escreveu. Olhou para ele.
Ele percebeu a confusão dela e concordou com o olhar.
Mesmo sem papeis marcados, eles tinham uma breve idéia do final.
Ela precisava de muitas pessoas. Ele não se cederia ao mundo.
Ninguém podia te-lo, por que ele não era de ninguém.
Ninguém podia te-lá, por que ela não aceitaria ninguém.
Mesmo sem ser do mundo, juntos podiam domina-lo
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