sábado, 27 de abril de 2013

"Aquele" sentimentalismo

Ele dizia não querer a solidão, mas havia se apegado a ela. Tinha medo de perder sua solidão ...
A garota estava deitada perto dele, movendo seus dedos pela pele do rapaz. A luz incidia de leve sobre eles. Era tudo levemente agradável. Sem pressões ou promessas.
Subitamente, ele se afastou. Chegou a ficar pálido, as pupilas dilataram. Pareceria ter encarado algo assustador. Ela notou:
- O que foi?
- É este ambiente ... Parece tão... Sentimental !
- Meu caro - ela sorriu e encarou-o nos olhos, mudando de posição - Eu não nutro sentimentos por ti. Tu pode dizer o mesmo sobre mim. Jamais queremos, teremos, um romance. Estamos aproveitando um ambiente. Gosto de cenários. Não me importa os personagens.
Por algum motivo, que só quando ela chegasse em casa e estivesse sozinha ela entenderia, ele não se importou tanto com a idéia de não ser importante quanto se importava com a idéia de se apegar.
Ele sabia que sua importância era diferente daquilo. Nunca teriam "aquilo" e os dois estavam morbidamente contentes com esta realidade.

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