sábado, 27 de abril de 2013

Sem sentimentalismo forcado, por favor

Ela soube, pela primeira vez, que não se envolveria romanticamente.
Depois de anos de desventuras, promessas, segredos e carinhos, ela soube que jamais o teria.
Ele não era dela, não era de ninguém e muito menos de si mesmo. Ele pertencia ao mundo, mas não controlava-se. Ele criou uma solidão que cegava-o.
Ela não era dele, jamais seria. Ele importava demais, era útil demais, para torna-lo um alvo da sua teia, da sua vida. Ela havia deixado de acreditar nos sentimentos.
Tinha um respeito de pupila por ele, uma admiração de crente, um carinho de amiga, um cuidado natural. Infelizmente ou felizmente, não existia nela vontade alguma de tentar muda-lo, salva-lo de si mesmo.
Havia uma relação entre os dois, mas algo que não abria espaço pra romantismo.
Entretanto...
Um momento de entrega não faria mal a ninguém.
Estaria sujeita a ser julgada. Deporia nua sobre um tribunal. Ele teria acesso a algo que ela não gostava em si mesma, seu próprio corpo. Sabia que ele a via sem a névoa da "paixão" nos olhos, ele a via puramente, sem ilusões. Veria as marcas de uma vida. Ele não saberia a importância que tinha para ela o seu corpo. Não pensaria nisso, não teria delicadeza em julga-lá.
Ela sabia que seria terrível para seu ego, mas parecia certo, mesmo que não fosse.
Mesmo que não levasse a nada.
Mesmo que aceitar um beijo sem romance fosse a ruína dela.
Ele ainda a destruiria ...
Mas, quem era ela para se importar? Não tinha controle de quem era, mas contanto que não tivesse de fingir um romance, apesar dos defeitos que ele notaria, estavam todos... Bem... Respirando ainda

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