terça-feira, 4 de março de 2014

Morrer ou não viver?

- Vou me matar.
Ela anunciou, assim, sem mais nem menos. Os pais enlouqueceram com a noticia:
 - Como assim, vai se matar? Quem tu pensa que é pra fazer uma coisa dessas?
As amigas tambem não reagiram bem:
- Guria, pra que fazer isso? Idiotice!
 Só que ela tinha tudo planejado, caso aquilo acontecesse. Mudou de ideia, assim, sem mais nem menos. Todo mundo aplaudiu a novidade. Então, uma noite, ela saiu de casa. Levou tudo que podia carregar, se mudou pra longe.

Deixou um bilhete: "Não vou mais morrer"

Agora não corta mais o cabelo, nunca mais assistiu televisão nem leu jornal. Mora com um ateu bissexual e travesti chamado Rodolfo la em Porto de Galinhas. Vende tapioca e sucos medicinais para os turistas que estão de feiras, mas é serviço feito com carinho, ela mesmo faz e vende tudo sozinha. Pegou um bronzeado, passou a cantar pagode e usa dinheiro pra se manter na vida, o resto fica pros pobres lá da instituição, onde ela é voluntária no final de semana. Só usa roupa de segunda mão, dorme no sofá da sala. Adotou de coração uns meninos, com quem ela joga bola quando tem tempo. Passa muito tempo com os pés na areia e não quis saber de faculdade. Faz topless no fim da tarde, a asma sumiu de vez, a alergia a frutos do mar tambem.

Ela é feliz agora, mas ninguem sabe.



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