Sinto uma estranha sensação de vazio dentro do meu corpo. Não é, de maneira alguma, emocional, psicológica. Meu equilíbrio mental encontra-se excelente, fato que me surpreendeu, mas dentro do meu corpo... Tenho a sensação de que me arrancaram os órgãos de dentro do corpo. Oca, sinto-me oca.
A sociedade com todos os seus valores culturais... Com toda a sua moralidade inventada e sua religiosidade empurrada pela minha garganta tentam me calar. Fazem tantas perguntas sobre meu futuro, sobre meu passado e meu presente. Tentam controlar tudo o tempo todo e, ainda pior, me fazem acreditar que o controle é algo positivo!
Isso é uma negação da MINHA natureza como humana.
A liberdade que almejo não aceita nenhum controle, nem que seja por minha parte.
E então... no meio ao caos que criei para fugir do controle que me impuseram, me sinto oca. Se bater contra minha barriga ouço o som bater nas paredes do meu corpo, sem barreiras gelatinosas de corações, pulmões, útero ou tripas. Até o sangue sumiu das minhas veias...
E o pior de tudo... sinto-me mortal... Não existe aquela secura, falta de vida, da imortalidade vampiresca. Apenas... me esvaziei. Como uma boneca inflável, que depois de muito usada é esvaziada e guardada no armário até que alguém resolva estupra-la, sem ao menos perguntar no final: foi bom para você?
É terrível esta sensação de ser esvaziada e não mais estuprada... Terrível em diversos sentidos, explico: Antes, era algo esperado, a dor e humilhação de ser usada e descartada. Me diziam para estudar, para sorrir, para passar maquiagem e depois me diziam que meus esforços nunca seriam tão bons como de determinadas pessoas. Era uma rejeição esperada dentro de um sistema que criou utopias.
Não sei se sinto-me esquecida pelos outros, mas por mim mesma. Parei de pensar, segui o que me diziam. Obedeci a religião, fiz comunhão, frequentei a igreja. Me submeti a escola: Sempre decorei e passei de ano, sem pensar ou discutir. Aceitei o ideal de beleza e comportamento: Moldei meu corpo a um "belo" que não me satisfazia, por que não era eu.
Me entreguei de tal maneira que não precisei mais cuidar de mim, alguém cuidaria de mim por mim. Fiquei vazia por que abandonei todas as crenças que eu tinha.
Se digo que agora tudo mudou, é algo positivo. Esqueci esta entrega aos valores sociais e esta mudança representa algo bom. Se sinto-me completamente vazia é por que não tenho mais peso algum, nenhum mito consegue me alcançar, sinto-me inalcançável e mortal por isso. Qualquer informação pode ressoar pelas paredes, pelo âmago, do meu ser, mas o conhecimento que formarei com ela não depende mais do que foi instituído.
Está aí o segredo para a verdadeira felicidade: esquecer todos os preconceitos que enfiaram dentro de nós e se deixar esvaziar como plástico. Fui estuprada por idéias durante toda a minha existência. Enquanto assistia o vídeo não pude concentrar-me na minha moral, tudo que foi dito ali limpou a minha cabeça e meu corpo de maneira extraordinária. Retroceder ao que eu era não é uma opção. Nenhuma crendice popular é capaz de moldar meu pensamento. O pensamento é meu e devo sempre estar aberta a verdade, não como ela me é apresentada, mas como buscarei até o último suspiro.
Não quero me sentir cheia novamente, pesada com fé e idéias, quero estar sempre assim: Vazia.
O vazio não é necessariamente ruim, foi o homem que disse que era ruim, mas ele estava errado. O homem criou Deus, criou o pecado e o inferno, se dependêssemos do homem para viver, não viveríamos, tudo seria moralmente proibido.
Após assistir algo como Zeitgeist devemos nos calar por dias, apenas deixar toda a informação limpar nosso corpo com um sopro de realidade. Então, devemos assistir de novo e de novo até que as palavras e sons simplesmente flutuem na nossa mente no vazio que passamos a entender ser necessário para compreender toda a verdade como uma busca obrigatória.
Se é possível encontrar "A Verdade", a suprema e absoluta "Verdade", sem o molde humano sobre ela, não sei. Mesmo que seja impossível, o simples ato de buscá-la constantemente é o que deve mover cada respiração nossa. O filme Zeitgeist não representa uma idéia, mas sim a negação das idéias.
Nunca mais seremos os mesmos.
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